O Instituto Singularidades, instituição de ensino superior voltada para a formação de professores e profissionais da educação, convidou a Uneafro Brasil para a criação de um edital para a doação de bolsas de estudo para os estudantes do cursinho. Durante um mês, 5 coordenadores da Uneafro realizaram um processo seletivo que garantiu 10 bolsas integrais para estudantes de 6 núcleos. Para o presidente do Instituto Singularidades, Alexandre Schneider, a parceria visa trazer diversidade e inclusão para dentro da instituição. “Nosso principal objetivo e compromisso é tornar a sala de aula e os espaços acadêmicos mais diversos e inclusivos para a juventude negra”.

Segundo Schneider, ainda existe uma grande disparidade racial no corpo docente e nos alunos matriculados, “entendemos que é essencial a ampliação de quadros profissionais e a entrada de alunos negros para buscar garantir a equidade racial”. O Instituto atua em três frentes para trazer mais diversidade para a instituição. A primeira delas para aumentar a quantidade de alunos negros; a segunda para a inclusão de temas de diversidade racial na formação do seu corpo docente e dos estudantes matriculados seguindo a Lei 10.639/2003, de ensino da cultura negra, levando as pautas raciais, para coordenadores e diretores escolares em formação no Instituto; e por fim, na terceira frente, a inclusão de profissionais negros em todos os seus quadros técnicos e profissionais.

A iniciativa ainda pretende ampliar a promoção da equidade racial dentro do ensino superior. Para a coordenadora do Núcleo Uneafro Quilombaque, Thais Santos, é de grande importância criar parcerias entre instituições de ensino e cursinhos populares, “parcerias como essa garantem a  chegada da informação com condições de acesso para quem realmente precisa, alterando significativamente a situação das desigualdades no ensino superior”.

Em 2005, ano em que foram implementadas ações afirmativas voltadas para acelerar o ingresso de jovens negros nas universidades, apenas 5,5% dos jovens pretos e pardos em idade universitária frequentavam o ensino superior. A coordenadora da Uneafro ainda afirmou que a entrada de estudantes dos cursinhos populares em cursos voltados à área da educação tem grande simbolismo. “É estrutural para a educação popular a inclusão de estudantes em cursos superiores de formação de professores. Acreditamos na educação e nas mudanças que ela promove quando há comprometimento social, engajamento político e qualificação”.

Maria Luz Miranda é aluna da Uneafro Brasil no Núcleo Tia Jura, localizado na cidade de São Bernardo do Campo. Ela foi uma das alunas que conseguiram a bolsa de estudos. “A família Uneafro me abraçou de tal forma que me sinto assim, diferente dos demais cursinhos que não nos preparam para a realidade do mundo”. Com a chegada da pandemia, Maria teve muitas dificuldades para estudar em virtude da ausência de recursos. Para ela, ser selecionada trouxe uma grande conquista para sua vida. “O curso é uma oportunidade incrível, a bolsa me auxilia em tudo. Irei cursar pedagogia e contribuir para a educação de um mundo melhor. Vai ter corpos transgêneros ocupando todos os espaços!”, concluiu.

Em 2015, esse número subiu para 12,8%. Por outro lado, 53,2% dos negros em idade para cursar o ensino superior estão cursando o ensino médio ou fundamental, em comparação ao percentual de 29,1% brancos. Os dados são da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais – uma análise das condições de vida da população brasileira de 2015. Ainda sobre Educação, a partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017, comparando a taxa de entrada no ensino superior por cor ou raça, notamos que 51,5% dos brancos com ensino médio completo ingressaram no ensino superior, enquanto apenas 33,4% dos pretos e pardos, nas mesmas condições, conseguiram entrar.

A desigualdade racial também é explícita entre os alunos que cursaram o ensino médio em escolas públicas, apenas 29,1% de pretos e pardos adentram as universidades, em comparação a 42,7% de pessoas brancas. Considerando a taxa de conclusão do ensino superior, os brancos somam 22,9% em comparação aos 9,3% dos negros.

Confira a lista dos estudantes aprovados no processo seletivo:

  1. Jéssica do Carmo – Núcleo Tia Jura – Pedagogia
  2. Julia Matos – Núcleo XI de Agosto – Letras
  3. Julia Gomes – Núcleo Tia Jura – Letras 
  4. Maria Luz Miranda – Núcleo Laura Vermont – Letras 
  5. Micheli Nogueira – Núcleo Quilombaque – Letras 
  6. Renato Sergio – Núcleo Luiza Mahin – Pedagogia 
  7. Stefany Lourenço – Núcleo XI de Agosto – Letras 
  8. Wendel Janes – Núcleo Quilombaque – Letras 
  9. Willian Neto – Núcleo Marielle Franco – Pedagogia 
  10. Zaila Sousa – Núcleo  Tia Jura – Pedagogia 
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