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Jornal Identidade - #24 - novembro de 2021 - Uneafro Brasil

Ato na COP26 marca lançamento de carta manifesto em defesa da titulação de territórios quilombolas

Por: Caio Chagas

Na tarde da sexta-feira, 05 de novembro, a Coalizão Negra Por Direitos realizou o evento “Terra, territórios e o enfrentamento ao racismo nas lutas contra a crise climática”. Durante o painel, representantes de organizações do movimento negro e ambiental lançaram a carta manifesto ‘Para controle do aquecimento do planeta desmatamento zero: Titular as terras quilombolas é desmatamento zero’ na 26ª Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas e debateram sobre seu papel no debate climático e a importância dos territórios quilombolas, do campo e da cidade para um caminho com futuro melhor.

 A carta lançada, foi assinada por mais de 200 organizações do movimento negro que defendem uma incidência direta contra o racismo ambiental, pela redução do aquecimento do planeta, desmatamento zero nas florestas Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga brasileira e em defesa da titulação das terras e dos territórios quilombolas também como estratégias pelo desmatamento zero.

“Eu trago minha voz como denúncia para que a gente olhe para a juventude preta, periférica, quilombola da região amazônica” introduziu a jovem amapaense, Hannah Balieiro, bióloga e atual presidente do Instituto Mapiguari. Ela falou sobre a invisibilidade ainda maior das comunidades tradicionais e periféricas em seu estado “Dentro do meu estado tem cerca de 300 comunidades quilombolas, institucionalizadas ou em processo de demarcação. É preciso falar que a região amazônica também é terra quilombola, de gente preta. Terra de se morar, de se viver, de se plantar e de se resistir.” reforçou.

 No fim de sua fala apresentou a triste realidade da juventude negra do estado do Amapá, que é o estado com maior letalidade policial do país “O estado chega primeiro dentro na região dos quilombolas e da periferia, através da polícia e da violência. Então o genocídio preto dentro da região amazônica tem acontecido, mas ele é pouco noticiado. “ finalizou

 Representando a juventude paulista, a diretora-executiva da Perifa Sustentável e jovem embaixadora da ONU, Amanda Costa falou sobre a importância de viabilizarmos vozes do sul global para a narrativa climática  “É importantíssimo pontuar que o que a gente vive hoje, é fruto desse modelo de desenvolvimento patriarcal, heteronormativo, capitalista e supremacista branco. Quando a discussão sobre sustentabilidade é feita, ela é feita através desse lugar, onde os países desenvolvidos colocam os países do sul global em constante atraso e desigualdades” introduziu.

 Para ela, falar sobre crise climática na periferia é falar sobre um lugar de sobrevivência, muitas vezes o discurso climático se afastou da periferia por uma narrativa que foi construída por pessoas brancas. “Falar da crise climática, é falar que narrativas decolonizadas precisam ser construídas. Narrativas do sul global precisam ser protagonizadas.  A gente pauta uma justiça social, ambiental e econômica que tem que ser fundamentada na justiça racial.” concluiu.

 Segundo as organizações, “a crise climática é também humanitária” e tem impacto direto na vida das populações negras, quilombolas e dos povos indígenas. No Brasil, a maioria populacional é negra e representa, hoje, 56% da população (IBGE, 2020).  Dados esses que foram debatidos e apresentados pela coordenadora nacional da CONAQ, Kátia Penha,das 6.300 comunidades quilombolas do Brasil, 4 estão aqui, cada uma de um bioma diferente. Esse espaço sempre foi ocupado sem nós, dialogado sem nós. Então nós estamos fazendo a diferença nesse espaço, somos só 4 pessoas, mas temos a potência de representar mais de 16 milhões de pessoas nesse espaço.”

 Moradora do território Sapê do Norte, no Espírito Santo, ela falou também da exploração de recursos naturais feiras no local: “eu moro num território que tem exploração de petróleo, que a gente deixou de plantar mandioca, feijão e milho para explorar, sem nos consultar. Retiraram da nossa terra a nossa plantação e começaram a cavar poços de petróleo. Do outro lado da comunidade, são milhares de hectares de eucalipto, para onde nós vamos? onde vamos plantar?”.  Ao encerrar sua fala, Kátia falou do legado da resistência das comunidades quilombolas “eles podem ir com todas as boiadas, mas vai ter muitas cercas vivas em cada território desse Brasil”.

O geógrafo e coordenador do Instituto Amazônia Legal Urbana, Diosmar Filho, falou da importância histórica dos povos negros originários ocuparem um lugar de destaque na COP26 “não podemos mais fazer COP sem a representação negra e quilombola do Brasil. O desafio que nós temos enquanto sociedade brasileira, é responder ao que vai ser humanamente o que vai ser a vida de 63% da população brasileira formada por negros e indígenas, nós temos um desafio de fazer um debate a partir dessa COP. O que serão os fundos de financiamento de combate à mudança climática, e nós não queremos só mitigação da economia verde”.

 Ele reforça ainda que as consequências do racismo ambiental levam a população negra para moradias e condições indignas “as cidades Brasileiras foram construídas sob o genocídio. Desde o tráfico e a escravidão de pessoas africanas, criando uma sociedade em diaspora, descendente de pessoas do continente africano. As cidades brasileiras são cidades negras, e nós estamos aqui para colocar que a carbonização foi criada por uma sociedade escravista e racista. Os países do norte europeu tem responsábilidade pelo genocídio do povo negro no Brasil e nós estamos lançando esse manifesto para dizer, sem nós não vai ter combate a crise climática.”

 Finalizando o ato de lançamento da carta manifesto, Douglas Belchior historiador e cofundador Uneafro Brasil e da Coalizão Negra Por Direitos, relembrou os exatos 6 anos da tragédia ambiental do rompimento da barragem de Mariana (MG) “Nós estamos aqui para denunciar as corporações assassinas que matam o nosso povo todos os dias no Brasil. Centenas de pessoas assassinadas e uma justiça parcial, junto com um Ministério Público conivente e irresponsável que até hoje não responsabilizou os assassinos das pessoas  que morreram trabalhando ou moravam nos entornos. Todo o impacto socioambiental acabou com a vida de centenas de pessoas em Mariana. Três anos depois também Brumadinho!” ressaltou.

 Douglas Belchior, falou também do legado de exploração da população negra e dos povos originários brasileiros: “é uma experiência humana violada historicamente, de um povo escravizado por 400 anos e de uma sociedade que se organizou para manter esse povo no chão, sob julgo. Toda a estrutura social brasileira está baseada no racismo. Nós temos uma elite branca, supremacista em toda a sua estrutura social e financeira” sintetizou.

 “Somos 56% da população brasileira, aquela que gera as riquezas, aquela que construiu o país, aquela responsável pelas contas gordas inclusive de quem financia esses espaços. Cada minuto de resistência dos povos originários desde a invasão em nossas terras, cada gota de sangue derramado pelo povo africano e seus descendentes em todo o período colonial e em uma democracia de mentira que meu povo continua sendo violentado. Nós estamos em luta, e hoje a Coalizão Negra Por Direitos simboliza a grande unidade nacional contra o racismo e por justiça climática” encerrou Belchior no final do evento.

 

Leia o documento divulgado na íntegra no site da Coalizão Negra por Direitos : https://coalizaonegrapordireitos.org.br/2021/11/05/para-controle-do-aquecimento-do-planeta-desmatamento-zero/

Organizações do movimento negro denunciam caso de racismo contra família no metrô

Por: Luiz Soares

No dia 20 de outubro, um mês antes do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra (20/11), a população e família negras brasileiras foram mais uma vez vítimas de violência motivada pelo racismo no transporte público, neste caso na estação Anhangabaú, linha vermelha do Metrô.

 Um agente de segurança metroviária agiu de maneira truculenta contra um usuário do sistema de transporte, enquanto outro o auxiliava e presenciava a ação, posturas reiteradas por esta categoria profissional contra pessoas negras e que comprova como o racismo estrutura as relações no Brasil, além de ser mais um exemplo do racismo institucional da empresa responsável pelo sistema metroviário. Desta vez, agrediram física e moralmente um homem, jovem de 21 anos e que estava com um bebê – apontado como seu filho – e que estava extremamente nervoso com aquela situação.

 Segundo o Atlas da Violência, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), negros são 75,7% das vítimas de homicídios no Brasil. Um novo estudo divulgado nesta sexta (22) também pelo Fórum, traz outro dado alarmante. Os adolescentes negros – idade entre 10 e 19 anos – são as principais vítimas entre crianças e jovens mortos por arma de fogo no Brasil. 80% das vítimas nessa faixa etária são negras.

 A ação foi filmada por uma testemunha e acompanhada por outros usuários do Metrô que demonstraram indignação e medo com tal ação brutal. Um vídeo amplamente divulgado pela imprensa e nas redes sociais mostra um agente aplicando um violento golpe, conhecido como “mata-leão”, além de pressionar seu joelho contra as costas do homem. Ações que podem ser fatais e lembram do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos e que chocaram o mundo.

 Diante disso, a Uneafro Brasil e o Instituto de Referência Negra Peregum, organizações do movimento negro brasileiro entraram nesta sexta (22), com uma representação no Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) – Promotoria de Justiça de Direitos Humanos – além de notiifcarem o diretor-presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo, Silvani Alves Pereira, pedindo providências da empresa

 “Há de ressaltar que o ocorrido é um crime, o Ministério Público tem a obrigação de abrir uma investigação criminal pelos ilícitos de racismo e lesão corporal praticados pelo agente de segurança do metrô. No mais, se tratando de uma concessão pública é fundamental uma resposta efetiva por parte do governo do Estado de São Paulo em relação ao ocorrido, exigimos a responsabilização também da empresa concessionária por essa prática racista e violenta, que infelizmente é reiterada ”, afirma Sheila de Carvalho, advogada especialista em Direitos Humanos e que representa as organizações.

 O documento destaca que o racismo ocorre sob responsabilidade da Companhia e medidas urgentes precisam ser tomadas. “Trata-se de ação não só reprovável, mas intolerável em um país que se propõe democrático. A ação dos agentes de segurança do Metrô viola os princípios basilares do estado democrático de direito e merecem amplo repúdio e providências institucionais”, afirmam as organizações.

 Em consonância com o pleito das organizações,  ofício enviado ao Diretor-Presidente do Metrô – SP, pelo Sr. Emidio de Souza, deputado estadual e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais da Assembleia Legislativa de São Paulo, também solicitou o afastamento imediato dos dois seguranças enquanto durarem as investigações.

 A ação viola direitos e garantias constitucionais fundamentais, fere previsões internacionais que protegem os direitos humanos e também é uma violência contra os direitos da criança. Além disso, fere as próprias normas internas previstas no Código de Conduta e Integridade do Metrô e princípios do sistema global de segurança metroviária.

 Entre as medidas solicitadas, está a abertura de inquérito para investigação do crime de racismo e lesão, com a posterior apresentação de denúncia criminal contra os acusados. Consideram ainda a imediata apuração e punição dos agentes conforme as normas da empresa, como o afastamento deles. As organizações também aguardam posicionamento público da empresa sobre o ocorrido e formação técnica em direitos humanos e questões raciais para todos os funcionários do Metrô. As exigências para a empresa também foram enviadas na notificação ao diretor-presidente da Companhia.

Campanha ‘Tem Gente Com Fome’ distribui 3 toneladas de alimentos em 10 estados no Dia Mundial da Alimentação

Por: Caio Chagas

Entregas de cestas básicas em Cuiabá no Mato Grosso

No último sábado (16), Dia Mundial da Alimentação, a campanha “Tem Gente Com Fome”, da Coalizão Negra Por Direitos, realizou uma mega ação de distribuição de alimentos em 10 estados do país. Foram entregues 3 toneladas de alimentos secos e orgânicos, além de kits de higiene e limpeza para as famílias vulneráveis de Alagoas, Acre, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Pará, Piauí, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, que foram mapeadas pelas entidades dos movimentos negros.

 Para Douglas Belchior, porta-voz da campanha, é de grande simbolismo a ação acontecer no Dia Mundial da Alimentação, “o problema da crise social só aumenta, a miséria e a fome crescem como nunca, o dia de hoje marca a retomada da campanha”. O cofundador da Coalizão Negra ainda reforçou que, para além da solidariedade, políticas públicas de combate à fome têm que ser feitas com urgência, “não há campanha que consiga resolver tanta miséria”.

Em 2020, a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (PenSSAN) publicou o inquérito “Olhe para a fome”, onde revela que 117 milhões de brasileiros vivem na situação de insegurança alimentar, que é quando alguém não tem acesso pleno e permanente à alimentação. Os resultados do levantamento ainda apontam que 19 milhões de pessoas convivem com a fome diariamente. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE mostram ainda que o desemprego ficou em 14,1% no segundo trimestre de 2021, atingindo 14,4 milhões de pessoas. O relatório da Oxfam, publicado em junho de 2021, traz a triste estatística de que a fome pode matar 11 pessoas a cada minuto até o final deste ano nos países emergentes, tendo a pandemia, os conflitos armados e a crise climática como principais fatores do problema.

Distribuição de absorventes e itens de higiene pessoal na Cidade Tiradentes em São Paulo

Mônica Brito, representante da COMUMENA de Altamira, no Pará, revelou que, para além do  combate à fome na região, a campanha tem levado um cuidado especial para as pessoas que menstruam, “muitas pessoas se encontram desempregadas e com fome, como essas famílias compram itens de limpeza? Como compram absorventes?”, questiona. Dados de uma pesquisa feita pela Johnson & Johnson Consumer Health, realizada com mulheres das classes C e D, apontam que 28% das mulheres de baixa renda no Brasil vivem em situação de pobreza menstrual. “Nós precisamos fortalecer a campanha, muito mais. Ainda tem muita gente passando fome”, finaliza.

A Campanha #TemGenteComFome, nascida no seio de organizações do movimento negro, foi lançada em março de 2021 para enfrentar a fome e auxiliar famílias brasileiras naquilo que é um direito humano básico: a alimentação. Com os R$ 18 milhões captados nos primeiros seis meses, 130 mil famílias receberam ajuda e foram distribuídos mais de 54 mil cartões de alimentação, 29 mil cestas básicas e 55 mil cestas com produtos orgânicos nos 27 estados. Os recursos também ajudaram a garantir empregos e renda para armazéns e mercadinhos locais e para agricultores familiares.

A ação do dia 16 de outubro foi também o lançamento da segunda etapa desse grande movimento liderado pela Coalizão Negra Por Direitos e por parceiros, como Anistia Internacional, Oxfam Brasil, Redes da Maré, Ação Brasileira de Combate às Desigualdades,  342 Artes, Nossas – Rede de Ativismo, Instituto Ethos, Orgânico Solidário, Grupo Prerrogativas e Fundo Brasil. A campanha #TemGenteComFome é auditada pela empresa PP&C, que integra a holding Nexia.

“Tem Gente Com Fome” faz referência ao poema de mesmo nome do poeta, teatrólogo, cineasta, artista plástico e militante histórico do movimento negro brasileiro, Solano Trindade. Durante as entregas no estado do Rio de Janeiro, o educador popular e fundador do Movimenta Caxias, Wesley Teixeira, falou sobre as desigualdades históricas do povo negro. “Esse poema de Solano Trindade, infelizmente, ainda é uma realidade. Porque o preço no mercado está lá em cima, você começa a pensar que o mercado não está nem aí para nós, nem o mercado de Paulo Guedes e nem o mercado que asfixia pessoas negras”.

No Brasil, o vírus da Covid-19 já matou mais de 600 mil pessoas pelas consequências da falta de políticas públicas e do negacionismo do governo federal. Em agosto de 2020, a Coalizão Negra Por Direitos protocolou o 56º pedido de Impeachment contra o Presidente da República, Jair Bolsonaro, o primeiro da história do movimento negro, tendo como denúncia central a negligência diante das vidas perdidas durante a pandemia da Covid-19. Os argumentos do protocolo foram incluídos também no “Superpedido de Impeachment”, apresentado em 30 de junho de 2021.

Wagner Moreira, coordenador do IDEIAS – Assessoria Popular, realizou as entregas da campanha na Ladeira da Conceição da Praia, em Salvador. Para ele, a Coalizão Negra Por Direitos tem levado a incidência política para a base e congresso de forma coesa e digna, “é o povo negro falando a partir de seu próprio território”. Complementando, reforçou a importância da ação de combate à fome, “é a partir do trabalho da campanha que vamos nos rearticulando nos nossos territórios. Sendo uma experiência exclusiva nessa solidariedade que a gente faz nos terreiros, nas periferias, onde sempre estivemos”.

Eliete Paraguassu em entrega de cestas básicas na Ilha de Maré, em Salvador.

Quem já recebeu as entregas das doações ressalta a qualidade dos produtos e a diferença que a cesta faz para toda a família, como Rosimeire dos Santos Silva, moradora da Comunidade Remanescente de Quilombo Rio dos Macacos, localizada no município Simões Filho, na Bahia. “A importância dessas doações para os quilombolas é muito grande. São os pretos ajudando os pretos, é uma corrente que nos ajuda a levantar. A fome dói, e dói na alma”. Para a liderança quilombola e da pesca artesanal da Ilha da Maré, Eliete Paraguassu, a campanha chega nos mais diferentes territórios brasileiros, realizando transformações profundas. “Hoje, Dia Mundial da Alimentação, a Coalizão Negra Por Direitos chega no Território das Águas, e estamos aqui para mostrar que essa campanha é importante para o Brasil. Seguimos na construção feita pelo nosso povo de um projeto político de nação”, finaliza.

O projeto está na rua, Orlando a culpa é sua

 

No dia 06 de novembro uma mobilização contra o despejo do Projeto Meninos e Meninas de rua ocupou as ruas de São Bernardo em virtude das ações do prefeito Orlando Morando , como a tentativa de despejo da iniciativa, mas também de famílias da cidade. Apoiamos o projeto e estamos em marcha com nossos parceiros.

Assine a petição aqui.

Fotos: Thiago Fernandes

Assista: Marighella

Pré-estréia em Salvador na Bahia

O Filme Marighella, com direção de Wagner Moura traz um retrato da frenética e surpreendente vida do militante comunista, deputado federal e fundador do maior grupo de oposição à ditadura militar no Brasil (Ação Libertadora Nacional), Carlos Marighella. De maneira enérgica, a trama se desenvolve de maneira envolvente e conectada com os dias atuais como um manifesto pela democracia. Marighella teve pré-estreias com integrantes dos movimentos que compõem a Coalizão Negra Por Direitos em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Pernambuco, Ceará e Bahia. Até o momento, o longa teve 36,7 mil espectadores em seus quatro primeiros dias de exibição, segundo o site Filme B. Isto faz da cinebiografia o filme brasileiro que mais vendeu ingressos em 2021.

Asista: My name is Pauli Murray

Pauli Murray foi uma pioneira jurídica cujas ideias influenciaram a luta de Ruth Bader Ginsburg por equidade de gênero e os argumentos de Thurgood Marshall sobre direitos civis. Confira um retrato do impacto das ideias desta intelectual negra e não binária: advogada, ativista, poeta e pastora que transformou o mundo.

Leia: Niketche - Paulina Chiziane

Rami é uma esposa fiel e subserviente. Ela faz o que manda a tradição, mas nem assim consegue ser amada por Tony, com quem é casada há vinte anos. Certo dia, Rami descobre que o marido tem várias amantes — e filhos — por todo o Moçambique, e decide conhecê-las uma a uma. “Eu, Rami, sou a primeira-dama, a rainha mãe. […] O nosso lar é um polígono de seis pontos. É polígamo. Um hexágono amoroso”, diz. A partir desse encontro surpreendente, todas terão suas vidas completamente transformadas.De origem humilde, Paulina Chiziane foi a primeira mulher moçambicana a publicar um romance — apesar de não se considerar romancista, mas uma contadora de histórias. Em Niketche, ela mistura bom humor, consciência social e lirismo para traçar um vigoroso painel da condição feminina e da sociedade de seu país. A escritora, é considerada a primeira mulher a publicar um romance em Moçambique e foi vencedora do 33º Prêmio Camões de Literatura, entregue em outubro de 2021.

Você é professor ou aluno da UNEafro, é da quebrada, curte e faz arte negra e periférica? Dê um salve!

Mande um e-mail para jornaldauneafro@gmail.com e mande seu trabalho aqui para toda a nossa comunidade ver!

Prestação de contas: “Tem Gente Com Fome”

Mais de 14 milhões de famílias vivem em situação de extrema pobreza no Brasil, ao menos dois milhões delas tiveram sua renda reduzida após Jair Bolsonaro assumir a presidência do país. Esses dados são de junho de 2021 e representam o maior índice de famílias nessa situação desde 2012. Ao todo, são mais de 40 milhões de brasileiros e brasileiras em extrema pobreza.

Para apoiar quem mais precisa neste cenário de pandemia, foi lançada a campanha “Tem Gente com Fome”. Foram mapeadas mais de 220 mil famílias em situação de vulnerabilidade, a maioria delas formada por pessoas negras, moradores de periferias e comunidades tradicionais.

Em seis meses, a campanha arrecadou mais de R$ 18 milhões, sendo R$ 10 milhões graças à solidariedade de pessoas físicas. Mais de 40 mil pessoas contribuíram.

Até agora, mais de 100 mil famílias foram beneficiadas. Mas outras 120 mil famílias ainda aguardam doação.

Assista ao vídeo e veja mais dados de nossa prestação de contas.

E, se puder, doe! Qualquer valor importa!

Núcleo Virtual

Para tentar atender nossos alunos durante a pandemia, a UNEafro está lançando um Núcleo Virtual que deve começar suas atividades na primeira semana de junho.

Professores de diversos núcleos se juntaram para produzir material e ajudar os alunos nas atividades em um espaço virtual.

Enquanto seguimos tentando adiar o ENEM, fazemos também o possível para preparar os alunos de ensino médio nas periferias.

Colabore Conosco

A principal missão da UNEafro é tirar o corpo negro e pobre da linha do tiro, do contingente encarcerado pelo estado, da fila do hospital e dos números das estatísticas da violência. Para isso, desenvolve ações que buscam oferecer oportunidades de estudo e trabalho em comunidades negras e pobres.

Você pode fazer parte e ser responsável por esse importante trabalho. Doe!

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Agência: 4054-1 | CC: 285.078-8
Em nome do Instituto de Referência Negra Peregum
CNPJ: 11.140.583/0001-72

Expediente: Edição: Caio Chagas, Jéssica Ferreira | Diagramação: Gabriela Bosshard | Revisão: Renata Toni | Contato: jornaldauneafro@gmail.com

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