AULÃO INAUGURAL DO NÚCLEO VIRTUAL REÚNE EDUCADORES E ARTISTAS

No último dia 15 de março, a Uneafro Brasil celebrou a chegada de mais um ano letivo para os alunos do Núcleo Virtual. O tradicional ‘Aulão Inaugural da Uneafro’ esse ano aconteceu por transmissão online, ao vivo, nos canais do Youtube e Facebook da Organização, com a participação de professores, coordenadores, artistas e parceiros da Uneafro que gravaram depoimentos e se apresentaram para a nova turma de estudantes que será acompanhada no ano de 2021. 

A apresentação do encontro foi realizada pela covereadora da Mandata Quilombo Periférico, Débora Dias, que ressaltou seu histórico junto à Uneafro Brasil, “sou cria desse movimento e tenho muito orgulho de dizer isso. Fui aluna da Uneafro em 2017, graças ao cursinho, me tornei aluna de Ciências Sociais na Unifesp”. Concluindo, falou do papel transformador que a experiência tem na vida dos jovens negros da periferia, “a Uneafro não é só um cursinho, ela tem relação direta na construção de uma história, reconstruindo nossa identidade”. 

Com a chegada da Covid-19, as atividades educacionais dos 39 núcleos físicos da Uneafro Brasil precisaram ser adiadas e, com a mobilização do movimento, se criou esse espaço onde os alunos podem aprender em segurança. “Estou muito animada de ter essa troca de experiências com vocês. De estar aqui para o que for necessário, desde as dúvidas da nossa disciplina, até sobre como funciona a Universidade”, destacou a professora de Geografia, Jee Victor, em sua saudação aos estudantes do Núcleo Virtual.

 O coordenador do Núcleo Virtual, Tomaz Amorim, contou como funciona a inscrição para o cursinho e apresentou a plataforma onde as aulas serão aplicadas. “Apesar desse momento difícil, saibam que aqui na Uneafro tem muita gente boa para botar a mão na massa e ajudar vocês”. São de 4 a 5 aulas diárias, gravadas e disponibilizadas online, além de um espaço de troca onde os professores subirão aulas em nossa plataforma no Google Classroom e realizarão exercícios de fixação do conteúdo. Os alunos inscritos poderão assistir às aulas e fazer comentários e perguntas que serão respondidos na próxima aula. São mais de 20 professores voluntários que oferecerão acompanhamento semanal aos alunos. As aulas acontecem de segunda a sexta e somam aproximadamente duas horas e meia por dia, sendo completamente gratuitas.

 As apresentações culturais ficaram por conta da integrante do Coletivo Dia de Nega e Posse Hausa, Ifè Rosa OADQ; do poeta Raffa Nunes; da poetisa e ex-aluna, Brenda Vieira e do músico Clayton Belchior. No fim das performances, o professor de filosofia, Diogo Dias, convidou os alunos para o Saraula, que é uma construção coletiva entre alunos e professores de produções artísticas que, na primeira aula, vai exibir o filme ‘25 anos de asfalto’, da diretora Fabíola Andrade.

 A Coordenadora Geral da Uneafro, Vanessa Nascimento, falou da trajetória da Uneafro para garantir o melhor aproveitamento das aulas nesse momento. “A Uneafro é isso, organização comunitária para contribuir na formação de várias Déboras, Wellingtons, Elaines que estão nas periferias”. Concluindo, Vanessa falou da união coletiva de todas as pessoas que constroem o movimento ao longo dos 12 anos para garantir não só um projeto coletivo, mas um projeto de vida. “Tentamos unir forças para ajudar o nosso povo, para que os pretinhos e pretinhas possam ocupar as universidades e o mercado de trabalho”.

Auxílio emergencial de 250 reais não alimenta bocas e nem sonhos da juventude negra

Por: Coletivo da Juventude da Uneafro Brasil | Foto: Caio Chagas

O teto de gastos de 44 bilhões para o financiamento do novo auxílio emergencial é o horizonte proposto no texto aprovado da PEC 186, intitulada de PEC emergencial, na noite da sexta-feira (12), no Congresso Nacional, e indica que 68,2% da população brasileira que utilizava o auxílio para comprar comida no ano anterior pode passar fome com a nova aprovação que corresponde a 7 vezes menos do que foi distribuído no ano passado.

De maneira chantagista, a PEC se restringe a ajustes fiscais e cortes no investimento de políticas sociais, indicando a expressão máxima do projeto político neoliberal do governo Bolsonaro: se quer políticas de reparação, outros direitos serão retirados. Segundo dados da campanha Renda Básica Que Queremos, frente que agrupa 270 organizações e redes, 1 em cada 4 pessoas que estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica não será beneficiada. 

A questão é que estamos vivendo a maior crise sanitária e econômica desde o começo da pandemia. Nesta terça-feira (17), o Brasil registrou 2.798 mortes por Covid-19 como novo recorde em 24 horas e o país continua na mira de retornar a índices abaixo da linha da pobreza. Com a nova variante, os casos também têm sido alarmantes entre os jovens e apontam aumento de contágio entre crianças.

Esse cenário aprofunda as desigualdades e precariza a vida, dentre outros grupos, das juventudes entre 15 e 29 anos de idade que, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, somatizam 47,3 milhões do total de pessoas da população brasileira, mas raramente estão nas prioridades da agenda pública. As negligências estatais se tornam ainda mais latentes aos jovens de periferia, sendo eles, em sua maioria, negros. A cada 23 minutos, um jovem negro morre nas favelas do Brasil e essa estatística não decaiu durante a pandemia, pelo contrário, o Rio de Janeiro contabilizou mais de 12 crianças mortas por bala de fogo em 2020. O genocídio também é um projeto para as crianças negras e periféricas. Os Racionais MC’s já cantavam a letra na década de 90: “Crianças vão nascendo em condições bem precárias, se desenvolvendo sem a paz necessária”.

Entregadores de aplicativos, trabalhadores informais, desempregados, mães e pais precoces e provedores de famílias sem incentivo de estudo e sem acesso à cultura. Num país onde o custo médio da cesta básica é de R$ 631,64, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, a proposta de Guedes e Bolsonaro para retorno do auxílio emergencial é de R$ 250, tão precária quanto as condições econômicas que a juventude se encontra. O DIEESE ainda mostrou que, para cada 1 real que foi recebido pelas pessoas no auxílio, houve o retorno de R$ 178 para o PIB brasileiro. Por isso, a Uneafro Brasil também se junta à campanha Renda Básica Que Queremos pelos R$ 600 até o fim da pandemia.

E é nesse contexto que o capital encontra ambiente propício: se organiza para culpabilizar a própria juventude por estar fora do mercado de trabalho e das instituições educacionais. Os denominados “Nem Nem”, “nem” estuda e “nem” trabalha, são, na realidade, a expressão do que o funcionamento do neoliberalismo chama de populações excedentes, através dos quais o sistema econômico se organiza para criação de processos desfavoráveis: produz precarização para condicionar a juventude a postos ultraprecarizados de trabalho.

A “uberização” das relações trabalhistas é esse modelo de exploração da mão de obra por parte de um seleto, porém grande empresariado detentor do mercado de aplicativos e plataformas digitais, onde esses não possuem obrigações e/ou responsabilidades com o que denominam de “parceiros cadastrados”. Em contrapartida, o tráfico e o uso de drogas ilícitas ou não também são uma realidade.

O aumento do número de tabacarias e adegas, pelo fácil acesso por aplicativo, também é um fenômeno intensificado pela pandemia e que traz facilidade de acesso ao consumo de bebidas alcoólicas dentre os jovens. Se, antes, todas essas condições aumentavam a falta de perspectiva na construção do futuro, hoje, é possível afirmar que os sonhos da juventude negra estão sufocados na informalidade da ausência de vínculos empregatícios e na falta de subsídios materiais e psicológicos.

O auxílio emergencial precisa ser ao menos suficiente para alimentar as famílias pretas e periféricas e é o primeiro passo para a retomada da humanidade do brasileiro. Djonga manda a letra quando diz “Mas arroz, feijão e carinho é o prato do povo”, e a Coalizão Negra Por Direitos, que reúne mais de 200 organizações do movimento negro, compreende bem o recado, respondendo com o lançamento da campanha “Se tem gente com fome, dá de comer!”, versando o poeta Solano Trindade, com o objetivo de arrecadar fundos emergenciais para ações de enfrentamento à fome, à miséria e à violência na pandemia de Covid-19.

Importante também ressaltar que, mesmo em meio a condições altamente desfavoráveis, a juventude negra e periférica vem construindo espaços para reconstruir condições objetivas e subjetivas de suas vidas. As batalhas de rap, dubs, bailes funk, slams, saraus e outras expressões artísticas são espaços de resistência e diversão articulados por esses, em tentativas expressas de ressignificar o cenário caótico e com poucas perspectivas criado por essa estrutura de opressões. “Desenrola nas palavras”, como canta a MC Dricka, vem sendo uma tática de luta contra esse sistema econômico, que nos obriga a ir “se virando”. Auxílio emergencial digno e até o final da pandemia é questão de vida para nós, sobreviver não nos basta, queremos nossa barriga cheia, a mente alimentada e uma “revoada” de prosperidade nas quebradas.

Organizações lançam campanha de combate à fome no Brasil

A Coalizão Negra por Direitos, Anistia Internacional, Oxfam Brasil, Redes da Maré, Ação Brasileira de Combate às Desigualdades, 342 Artes, Nossas – Rede de Ativismo, Instituto Ethos, Orgânico Solidário e Grupo Prerrogativas lançaram no dia 16 de março de 2021 a campanha nacional de arrecadação de fundos para ações emergenciais de enfrentamento à fome, à miséria e à violência na pandemia de Covid-19 chamada “Tem Gente com Fome”. A campanha de financiamento coletivo tem o objetivo principal de arrecadar alimentos em cestas básicas para entregar a 222.895 famílias em todas as regiões do Brasil que foram mapeadas pelas organizações e redes que coordenam a ação. O site para doações é o temgentecomfome.com.br e pode receber contribuições de diversas faixas de valor.

As doações serão revertidas em alimentos, produtos de higiene e produtos de limpeza. Por meio da ação permanente nos territórios onde as organizações da Coalizão Negra atuam, a ideia é também estimular a formação de mutirões de solidariedade, grupos de pessoas dispostas a atuar na entrega das cestas básicas, de EPIs e material de higiene, na organização e acompanhamento das famílias para locomoção de idosos para vacinação, mobilização para defesa e conscientização sobre lockdown e mobilização para incidência política local junto aos poderes constituídos, poderes públicos e instituições locais.

A finalidade é alcançar os mais diversos setores da sociedade brasileira capazes de colaborar com a manutenção de condições mínimas de saúde e alimentação de pessoas em situação de vulnerabilidade. Com a piora dos casos do coronavírus no país, mais de 278 mil mortes, ultrapassando 11 milhões de infectados e as consequências da pandemia atingindo cada vez mais a população negra e periférica, a questão da fome se tornou emergencial. Após décadas, o Brasil está no caminho de voltar a integrar o mapa mundial da fome. São mais de 39 milhões de pessoas vivendo na miséria, 14 milhões em situação de extrema pobreza e 14 milhões de desempregados, segundo os dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Ministério da Cidadania.

Além das mais de 200 organizações, coletivos e entidades do movimento negro que compõem a Coalizão Negra Por Direitos, o movimento global Anistia Internacional, o grupo 342 Artes, a Ação Brasileira de Combate às Desigualdades (ABCD), a organização Oxfam Brasil, a instituição Redes da Maré, o Instituto Ethos, a rede de ativismo Nossas, a plataforma Orgânico Solidário e o Grupo Prerrogativas que constroem a campanha, artistas como Camila Pitanga, Antonio Pitanga, Gilberto Gil, Chico Buarque, Zeca Pagodinho, Emicida, Zezé Motta, Ailton Graça, Tulipa Ruiz, Alzira Espíndola, o escritor Milton Hatoum, a chefe de cozinha Bel Coelho, o líder indígena Ailton Krenak, as filósofas Sueli Carneiro, Cida Bento e Djamila Ribeiro e a jornalista Flávia Oliveira também apoiam a iniciativa.

O nome da campanha é inspirado no poema “Tem gente com fome”, do pernambucano Solano Trindade, poeta, escritor, teatrólogo, cineasta, artista plástico e militante histórico do movimento negro brasileiro que nos deixou em 1974. “Tantas caras tristes querendo chegar em algum destino, em algum lugar. Se tem gente com fome, dá de comer”, diz um trecho.

Essa iniciativa não se trata de um trabalho de distribuição aleatória de cestas básicas, mas sim do apoio a territórios onde há trabalho de base, onde há mobilização de luta por direitos humanos, onde há lideranças organizadas e articuladas em redes de lutas sociais em todo o país. Garantir apoio para esse universo significa fortalecer o trabalho no campo dos direitos humanos, da organização popular, do movimento negro e de favelas; significa alimentar de condições e esperança as iniciativas coletivas e comunitárias, as lideranças locais, que são o contingente de defensores de direitos sociais dispostos a nos ajudar a atravessar o momento difícil que vivemos no Brasil.

Contribua com a campanha “tem gente com fome”

 

www.temgentecomfome.com.br

Entrega de cestas básicas em SP. A Favela do Heliópolis, na zona sul da capital, recebeu 100 cestas básicas para entregar a moradoras e moradores da região. A ação foi articulada pela Uneafro Brasil e organizada pela líder comunitária Dona Alda. A ação antecipa a distribuição de alimentos, produtos de higiene e limpeza que será realizada pela campanha “Tem Gente Com Fome”.

No domingo de Páscoa, o Núcleo Uneafro Pagode Na Disciplina, na zona sul de São Paulo, distribuiu cestas básicas e marmitas

O Núcleo XI de Agosto, em Poá, realizou no dia 31 de março o cadastro de pessoas para a entrega das cestas básicas

Entrega de cestas básicas e kits de higiene no Núcleo Mabel Assis, em Guarulhos

Tem gente com fome

 

Solano Trindade

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Piiiiii
Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar
Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar
Pisiuuuuuuuuu

(Cantares ao meu povo, 2.ed., p. 34-5)

Assista

A trama é costurada pela explosão de uma guerra em Ruanda em 1994, causada pelo conflito étnico entre os tutsis e o hutus. Esses últimos, sendo a maioria no país, se consideravam injustiçados pelo poder de Tutsi, representantes belgas após o fim da colonização e, então, resolveram disputar esse poder. Baseado em fatos reais, um dos cenários retrata o Hotel Mille Collines, na cidade de Kigali que, durante essa disputa, abrigou cerca de 1400 pessoas, entre elas tutsis e hutus. O filme escancara os conflitos e massacres que são consequências da demarcação feita por superpotências e já se arrastam por séculos e séculos entre povos africanos.

Leia

A filósofa Angela Davis recheia esse livro de reflexões e conceitos importantes sobre o sistema carcerário dos Estados Unidos, facilmente utilizados em análises sobre os sistemas penais do mundo, sobretudo do Brasil. De maneira enfática, Davis questiona a existência do sistema prisional e o porquê de sua ruptura não ser tão difundida enquanto saída para o encarceramento em massa. Também sobre como as relações dos papéis de gênero no cenário do complexo industrial, este que lucra financeiramente com a impossibilidade de comunidades, principalmente a comunidade negra, se desenvolvem fora das inúmeras prisões que são construídas anualmente.

Você é professor ou aluno da UNEafro, é da quebrada, curte e faz arte negra e periférica? Dê um salve!

Mande um e-mail para [email protected] e mande seu trabalho aqui para toda a nossa comunidade ver!

Assista a live “Diálogos sobre o Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial”

Acompanhe o que rolou no Aulão Inaugural do Núcleo Virtual 2021

Boletim Agentes Populares de Saúde com Bruna Silveira

Núcleo Virtual

Para tentar atender nossos alunos durante a pandemia, a UNEafro está lançando um Núcleo Virtual que deve começar suas atividades na primeira semana de junho.

Professores de diversos núcleos se juntaram para produzir material e ajudar os alunos nas atividades em um espaço virtual.

Enquanto seguimos tentando adiar o ENEM, fazemos também o possível para preparar os alunos de ensino médio nas periferias.

Colabore Conosco

A principal missão da UNEafro é tirar o corpo negro e pobre da linha do tiro, do contingente encarcerado pelo estado, da fila do hospital e dos números das estatísticas da violência. Para isso, desenvolve ações que buscam oferecer oportunidades de estudo e trabalho em comunidades negras e pobres.

Você pode fazer parte e ser responsável por esse importante trabalho. Doe!

Banco do Brasil
Agência: 4054-1 | CC: 285.078-8
Em nome da Associação Franciscana DDFP
CNPJ: 11.140.583/0001-72

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