Malcolm X foi assassinado a tiros em 21 de fevereiro de 1965, minutos depois de dar início a uma fala pública em um salão de baile localizado em Washington Heights, região norte da ilha de Manhattan e extensão do Harlem, numa tarde de inverno nova-iorquina. Quarenta e seis anos nos separam desse trágico evento, mas ainda relativamente pouco se sabe sobre as circunstâncias que levaram três homens a abrirem fogo contra Malcolm silenciando uma das mais polêmicas e populares lideranças negras que os Estados Unidos já tiveram. O lançamento de Malcolm X: A Life of Reinvention, de autoria do historiador norte-americano Manning Marable (1950-2011), promete, entretanto, uma reavaliação do caso e da vida do carismático líder negro.

Embora a perspectiva de atuação política que Malcolm ajudou a forjar tenha influenciado grandemente movimentos radicais e nacionalistas negros que surgiram na virada dos anos 1960 para os anos 1970, sendo os mais famosos dentre eles a ideologia do Poder Negro e o Partido do Panteras Negras, o triunfo dos movimentos pelos direitos civis e a mensagem de não violência testemunhadas nos discursos de Martin Luther King Jr. e nas ações de vários grupos ativistas da época foram responsáveis por colocar uma sombra histórica sobre a figura de Malcolm, recorrentemente visto como defensor do uso da violência como arma política. Foi apenas nos anos 1990, por meio da panfletagem político racial registrada em letras de grupos de rap, que a imagem dessa liderança foi reatualizada. Sua autobiografia, escrita em conjunto com o escritor Alex Haley e publicada logo após sua morte, tornou-se leitura obrigatória entre militantes e jovens negros de uma forma ou de outra vinculados a cultura juvenil hip-hop numa época conhecida “golden age of hip-hop”.[2] Em 1992, a película do cineasta Spike Lee intituladaMalcolm X imortalizou a vida do líder negro nos cinemas ao mesmo tempo que contribui de forma definitiva para transformá-lo numa espécie de ícone pop da juventude afro-americana contemporânea.[3] Isso pode ser comprovada pela exploração da imagem do líder vista em camisetas, bonés, pôsteres, cartões postais e vídeos de música.

O historiador, cientista político e professor da Columbia University Manning Marable foi um espectador da vida de X desde sua morte até o seu resgate histórico nos anos 1990. Assim como muitos acadêmicos e leigos, Marable foi tomado por admiração ao ler a autobiografia de Malcolm escrita por Haley. Foi desse encantamento e no início de sua vida intelectual, antes de se tornar um respeitável acadêmico com quinze livros publicados e um importante ativista, que Marable concebeu o projeto de escrever uma biografia de cunho histórico e político do ativista. A empreita, que se cristalizou no início dos anos 2000, levou o nome de Malcolm X Project e tomou 10 anos de dedicação de Marable que conciliava e combinava a pesquisa para o livro com suas atividades de ensino e orientação. O resultado da investigação pode finalmente ser verificado na nova biografia de Malcolm lançada em 4 de abril de 2011. A chegada da obra no entanto foi cercada de tristeza, uma vez que seu autor faleceu três dias antes do lançamento devido a complicações de um transplante de pulmão realizado no primeiro semestre de 2010.

O livro de Marable impressiona pela qualidade da pesquisa e quantidade de novas informações sobre a vida de Malcolm. Nas quase 600 páginas divididas em um prólogo, 16 capítulos, epílogo, notas, agradecimentos, um glossário de termos e bibliografia, o autor aborda e discute inúmeras controvérsias sobre a trajetória do ativista. O ponto de partida e de discórdia é o livro de Alex Haley. De acordo com o historiador, Haley, um veterano da segunda guerra e republicano integracionista, tinha uma agenda específica ao descrever a trajetória do polêmico ministro da Nação do Islã. A época, o futuro autor do bestseller Roots (1977) teria buscado enquadrar a trajetória política de Malcolm dentro de uma perspectiva na qual o líder rompia com o separatismo racial visto na Nação do Islã para, momentos antes de sua morte, abraçar o integracionismo dos movimentos pelos direitos civis.[4] Para Marable, a história é muito mais complexa.

O historiador afirma que o relato de Haley contem várias imprecisões históricas, informações equivocadas sobre a vida de Malcolm além de possuir um aspecto romanceado para agradar o grande público e tornar-se vendável. Malcolm, em seu relato a Haley, também teria exagerado aspectos de sua vida de modo a ganhar crédito entre seus fiéis e seguidores. Exemplo disso pode ser notado no capítulo sobre sua vida criminosa que consta no livro. A biografia de Marable, por sua vez, não é um relato psicológico de quem foi Malcolm X e nem se enquadra na proposta da biografia exaltadora dos feitos individuais do biografado, algo tão ao gosto da sociedade individualista norte-americana. O historiador usa a biografia como instrumento de investigação, ou seja, para entender os dilemas políticos que o ativista negro viveu e como os mesmos afetaram sua vida pessoal e trajetória política. Nesse aspecto, o livro de Marable se aproxima de trabalhos clássicos como a biografia sociológica de Norbert Elias sobre o músico Wolfgang Amadeus Mozart ou a biografia total de Jacques Le Goff sobre o santo-rei São Luís.[5]Desse modo, há uma ênfase nos aspectos políticos, sociais e históricos da trajetória do estudado em vez de um relato psicologizante e focado em aspectos privados de sua vida.

Porém, mesmo não privilegiando a vida íntima de Malcolm, fatos controvertidos da mesma explicitados no livro foram os que tiveram mais destaque na mídia norte-americana à época do lançamento do livro. O melhor exemplo disso pode ser notado na recepção às afirmações feitas por Marable de que Malcolm teria tido um caso homossexual com um homem branco de nome William Paul Lennon no período em que praticava pequenos delitos como roubos, cafetinagem e venda de maconha se tornou um dos pontos centrais explorados pela mídia em relação ao livro, algo que desagradou as filhas do líder. Não menos desconfortável para a família do ativista foram as informações levantadas por Marable sobre a vida sexual de Malcolm com sua esposa Betty Shabazz, assim como as suspeitas de adultério de ambas as partes logo após o rompimento de Malcolm com a Nação do Islã no início de 1964 e uma viagem prolongada do líder por países do continente africano. Mas se essas passagens polêmicas são ótima matéria prima para manchetes de tablóides, não é sobre elas que se localiza a força do relato de Marable.

Historiador experiente, Marable buscou, diferentemente de Haley, estabelecer as continuidades nos posicionamentos políticos de Malcolm em vez enfatizar rupturas. Nesse sentido, a noção de reinvenção vista no título do livro é essencial a análise proposta pelo investigador. Seu biografado seria alguém capaz de se reinventar continuamente, uma espécie de trickster: figura comum nas culturas negras do continente africano e da diáspora negra e famosa por sua astúcia, versatilidade e aspecto brincalhão. Sendo assim, haveria vários e não apenas um Malcolm, algo que pode ser comprovado por suas várias alcunhas utilizadas por ele no decorrer de sua vida: Malcolm Little, Detroit Red, Satan, Malcolm X e El-Hajj Malik El-Shabazz. O que ligaria esses diferentes personagens distribuídos no tempo seria justamente a capacidade do biografado de, através do seu carisma, retórica e performatividade, estabelecer vínculos e (des)/continuidades entre os mesmos.

Detalhe importante do livro é que, uma vez que o relato de Marable dá peso a aspectos políticos e sociais, Malcolm acaba como a antítese de Martin Luther King Jr. no que diz respeito a sua origem de classe e base de apoio político. Se King era um ministro batista originário da pequena burguesia negra sulista acossada pelo sistema de segregação Jim Crow, Malcolm se constituía num produto do lumpemproletariado e da classe trabalhadora negra do norte ostentando “crédito” nas ruas devido a seu passado como criminoso. A influência das idéias de Marcus Garvey (1897-1940), líder jamaicano radicado em Nova York nos anos 1910 e 1920, primeiramente sobre os pais de Malcolm e posteriormente sobre ele mesmo possibilitou que o ex presidiário, uma vez ministro da seita religiosa chefiada por Elijah Muhammad (1897-1975), elaborasse um discurso que mesclava elementos religiosos oriundos da teologia racista da Nação do Islã – na qual brancos eram vistos como demônios – com idéias políticas oriundas do nacionalismo negro de Garvey. Tal retórica agradava e atraia a atenção e confiança da massa de negros urbanos e despossuídos das metrópoles do norte dos EUA como Chicago, Boston, Filadélfia e Nova York. Nesse aspecto o trabalho de Marable fornece um elaborado quadro histórico-social, político e teológico das origens, propostas vislumbradas e estrutura de funcionamento do movimento garveista e Nação do Islã, inclusive evidenciando os pontos de contato e distanciamento da teologia dos muçulmanos negros em relação ao islamismo ortodoxo.

Entretanto, se a retórica de Malcolm que juntava política e religião conseguiu se estabelecer como a antítese dos movimentos pelos direitos civis e angariar milhares de adeptos para as fileiras religiosas dos muçulmanos pretos, com o passar do tempo ela se tornou uma camisa de força para Malcolm devido ao posicionamento apolítico defendido para a Nação do Islã por seu chefe supremo, Elijah Muhammad. O crescimento exponencial de convertidos ao grupo religioso e a expansão de seus negócios (restaurantes, o jornal Muhammad Speaks e investimentos imobiliários) foram em parte produto da ação direta de Malcolm devido sua popularidade. Contudo, a visibilidade que o líder gerava sobre a Nação através de seus discursos e aparições em rádios, canais de TV, debates em universidades e demonstrações públicas explicitava uma faceta que desagradava a maior parte da população branca e dos negros integracionistas que o viam como um racista e demagogo. A ênfase política dos discursos de Malcolm também colocava em perigo os interesses econômicos da Nação do Islã, já sobre vigilância do FBI e de outros órgãos de segurança local como a polícia de Nova York. Ao mesmo tempo, o principal ministro da Nação era visto com inveja e desconfiança entre aqueles que aspiravam a posições de poder dentro do grupo. Familiares de Elijah Muhammad temiam que numa possível sucessão o líder supremo optasse por Malcolm para ocupar seu lugar em detrimento de alguém que tivesse esse direito por laços consangüíneos. Dentro desse contexto, Malcolm se tornou alvo de uma campanha silenciosa de traição e desmoralização empregada por seus inimigos dentro do grupo religioso e ajudada pelo FBI, que monitorava seus passos desde o início de sua ascensão como figura pública e possuía informantes infiltrados na Nação.

A investigação de Marable evidencia como Malcolm foi perspicaz em notar que o discurso de separatismo racial de seu grupo religioso perdia cada vez mais espaço entre a população negra e gozava de pouco apoio dos brancos diante das sucessivas empreitas bem sucedidas de grupos integracionistas vinculados aos movimentos pelos direitos civis. A mensagem advogada pela Nação do Islã era de que não haveria possibilidade de emancipação política para a população afro-americana num sistema político dominado por “demônios brancos”. A saída, de acordo com a sua teologia, seria a recusa em participar da arena política ao mesmo tempo que se apregoava o separatismo racial. Entretanto, os avanços alcançados por grupos integracionistas no sul questionavam a faceta apolítica defendida pelo grupo de Malcolm. A busca de um projeto político alternativo aos movimentos pelos direitos além de viável e eficiente do ponto de vista de sua implementação foi em parte a causa do distanciamento de Malcolm em relação à Nação do Islã. Com o tempo, o discurso do ministro começou a deixar de lado aspectos religiosos da teologia racista da Nação do Islã se aproximando de uma nova proposta política mais humanista e universalista. O rompimento total aconteceria no início de 1964, após meses enfrentando um silenciamento imposto por Muhammad devido a comentários realizados pelo ministro sobre o assassinato do presidente John F. Kennedy em 1963.

Rompido com a Nação Malcolm inicia uma aproximação em relação ao islamismo ortodoxo algo que o força a uma reavaliação de vários dogmas estabelecidos por Elijah Muhammad como a noção de que brancos seriam demônios. Após uma viagem por países do Oriente Médio e a peregrinação a Meca, Malcolm se converte ao islamismo ortodoxo. Durante sua visita a cidade sagrada o líder é surpreendido por vários exemplos cotidianos onde, de acordo com ele, diferenças raciais e de classe entre os indivíduos eram desconsideradas perante a fé religiosa. De volta aos EUA ele se empenha na fundação e desenvolvimento de duas novas organizações políticas. Ao mesmo tempo, a Nação do Islã se torna um dos alvos centrais das críticas do líder e Malcolm se envolve pessoalmente num escândalo envolvendo Elijah Muhammad e várias de suas ex secretárias: o líder supremo da Nação teria engravidado mais de cinco assistentes, dentre elas, uma das mulheres que Malcolm cortejara como possível esposa antes de seu enlaço matrimonial com Betty Shabbaz e pela qual, de acordo com Marable, ainda nutria sentimentos. O líder decidiu prestar apoio as ex secretárias e se comprometeu a testemunhar em favor delas no processo jurídico.

O Malcolm de 1964, o último ano de sua vida, é um líder negro afinado com as lutas revolucionárias no continente africano, defensor da perspectiva de que a luta dos negros nos EUA não era uma questão de direitos civis, mas sim direitos humanos e, por conta disso, deveria ser debatida pelas Nações Unidas, órgão internacional que seria capaz de exercer pressão sobre o governo norte-americano. Sua passagem pelo continente africano, numa longa viagem realizada no segundo semestre de 1964, e seu contato com lideranças negras revolucionárias o aproximou de uma perspectiva pan-africanista que o diferenciava das outras lideranças negras norte-americanas da época. Malcolm foi muitas vezes recebido com honrarias de chefe de estado pelos governos de vários países ao mesmo tempo que era monitorado pela CIA. Seu discurso político, apesar da mudança e maturidade, ainda buscava um porto seguro ideológico e a necessidade de navegar por várias correntes e contextos políticos além de grupos diferenciados, muitas vezes o fazia cair em contradição. No entanto, como demonstra Marable, isso se dava como custo de seus cálculos políticos e negociações. Entretanto, para seus seguidores, que não conseguiam entender e acompanhar essas mudanças, a evolução do seu pensamento assim como o novo Malcolm eram objeto de dúvidas e desconfiança. Além disso, muitos negros – desde os mais paupérrimos aos mais aquinhoados – sentiram satisfação e concordaram em silêncio quando o líder, no início de sua carreira, desafiara o mainstream da sociedade americana demonstrando desprezo pelos brancos e promovendo noções de superioridade racial em favor dos negros. Para todos eles, o novo Malcolm não era mais inteligível ou atraente.

De acordo com Marable, os planos para assassinar Malcolm tiveram início dentro da Nação do Islã um ano antes da sua concretização. O que teria postergado a efetivação do plano ainda em 1964 teria sido as viagens ao exterior de Malcolm naquele ano, o que o tornava um alvo difícil. Desde seu rompimento com o grupo religioso, Malcolm se tornou o centro de uma campanha de difamação iniciada pelo topo da liderança da Nação do Islã: para a maioria deles Malcolm era um traidor de Elijah Muhammad que merecia uma morte violenta. Além disso, a morte de Malcolm poderia ser converter em ganhos políticos para vários grupos situados dentro e fora . As ameaças de morte via telefonemas e bilhetes anônimos aos poucos se converteram em tentativas abertas de assassinato com perseguições a carro e um incêndio criminoso em sua residência em Elmhurst, vizinhança do Queens em Nova York. Em determinada ocasião um membro do Fruto do Islã, a guarda oficial da Nação do Islã, foi pessoalmente recrutado para matar o líder. A maioria dos indivíduos pertencentes a esse grupo eram selecionados entre ex-criminosos e/ou veteranos de guerra convertidos a religião que passavam a receber aulas de artes marciais e possuíam um código de conduta, disciplina e hierarquia extremamente rígidos. A violência era uma prática disseminada dentro da Nação do Islã e indivíduos que saíssem das regras de conduta da religião eram objeto de espancamentos e, em casos mais extremos, assassinatos que ficavam a cargo do Fruto do Islã.

O ponto fraco do livro de Marable é a reconstituição do assassinato de Malcolm e as várias hipóteses levantadas para a sua explicação. De acordo com o historiador, a Nação do Islã foi a responsável direta pela morte de Malcolm. Todos os assassinos pertenciam ao templo da cidade vizinha de Newark da Nação e seriam mais de três. Assim sendo, dois deles nunca foram julgados. O historiador faz trabalho melhor ao apontar a negligência dos órgãos de segurança em investigar o caso e as várias falhas cometidas durante o processo, a começar pela cena do crime que não fora preservada: três horas depois do assassinato de Malcolm o salão em que o crime ocorrera foi limpo para a realização de um baile. A maior parte do que poderia ser usado como evidências para a solução do caso foi perdido. A verdade é que Malcolm era persona non grata entre policiais e agentes do FBI que o viam apenas como um ex viciado em drogas, cafetão e ladrão que ascendera a figura pública como demagogo e racista.

Um dos grandes méritos do livro de Marable é de conseguir criar espaço para Malcolm X no panteão de paradigmas ideológicos e lideranças intelectuais e políticas do século XX. De modo claro, o historiador nos mostra como um homem que havia terminado apenas o ensino médio foi capaz de se formar política e intelectualmente criando um projeto político para a população negra nos Estados Unidos e de outras partes do mundo que tragicamente foi abortado com a sua morte. Marable expõe com maestria como a trajetória do líder se liga a outras figuras históricas como Ernesto “Che” Guevara, Fidel Castro, Nelson Mandela, Billie Holiday, Martin Luther King Jr., Muhammad Ali, Kwame Nkrumah, Maya Angelou, Ossie Davis, James Baldwin, Adam Clayton Powell e as idéias de Frantz Fanon, Antonio Gramsci, Karl Marx, Stokely Carmichael, Leon Trótski, Lênin e vários outros. Além disso, ao reconstruir sua trajetória de forma esplêndida e mostrar o amor que Malcolm possuía por seu povo, Marable tira Malcolm X do pedestal ou perfeição partilhada entre heróis para recolocá-lo ao lugar que ele sempre pertenceu: entre nós.

 

Malcolm X: Uma Vida de Reinvenções. MARABLE, Manning. Malcolm X: A Life of Reinventions. New York: Vinking/Penguim, 2011, 594 p.

Fonte: Sankofa

 


[1] Doutorando do Departamento de Sociologia The New School for Social Research. Bolsista CAPES.

[2] Alex Haley, Autobiografia de Malcolm X, São Paulo: Record, 1992.

[3] Spike Lee, Malcolm X, 1992. USA.

[4] Alex Haley, Roots: The Saga of an American Family, New York: Vanguard Press, 2007 (30th Anniversary Edition).

[5] Norbert Elias, Mozart: sociologia de um gênio, Rio de Janeiro: Zahar, 1994; e Jacques Le Goff, São Luís, São Paulo: Record, 1999.

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