"Estudantes, trabalhadores/as e
negros/as diante da crise econômica: Reflexões sobre o dia
1º. de Maio e o dia 13 de Maio". Esse foi o
tema do seminário multidisciplinar ocorrido no último dia
05 de maio, no salão nobre da Universidade São Francisco (USF
- Campus Pari).
Faz parte do acordo firmado recentemente entre a UNEAFRO
– União de Núcleos de Educação Popular para negras/os e classe
trabalhadora e a Pró-Reitoria Comunitária (PRC) da
USF, a realização atividades conjuntas, de fomento
ao debate acadêmico e reflexão em torno de temas de interesse
social. O evento organizado pela UNEAFRO e PRC teve também
a participação do Centro Acadêmico do Direito (CADUSF). Um
dos propósitos do evento foi incentivar a formação política
de universitários e pessoas da comunidade. Estiveram presentes
cerca de 320 pessoas (entre estudantes e professores) dos
cursos de Direito, Moda, Administração, Serviço Social e Psicologia.
Núcleos de educação popular e cursinhos comunitários filiados
à Uneafro enviaram representantes (pré-universitários) vindos
de São Mateus, Poá, Suzano, Mogi das Cruzes, Pirituba, Mauá,
Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires.
O coordenador do curso de Direito, Dr. Cícero Germano fez
uma saudação em nome da Universidade e conduziu os trabalhos
do Seminário.
A mesa de debates foi composta pelo palestrante convidado,
o jovem advogado Tiago Barison, assessor
e colaborador de diversos movimentos sociais. Barizon é diretor
do Sindicato dos Advogados de São Paulo e membro da organização
Consulta Popular e do movimento Assembléia Popular. É formado
em Direito pela USP - Largo São Francisco, onde faz Mestrado
em Direitos Humanos. Participou da coordenação dos Plebiscitos
sobre a Dívida Externa, a Alca e campanha pela reestatização
da Vale do Rio Doce.
Barison falou a respeito da origem da crise, iniciando sua
abordagem sobre a forma com que o capitalismo se estruturou
e a natureza da atual crise. Falou ainda sobre as saídas clássicas
dos capitalistas para a crise, como por exemplo, a ajuda dos
Governos a bancos e grandes empresas e o patrocínio de guerras.
Alertou os presentes sobre as conseqüências da crise para
a economia brasileira e para a classe trabalhadora. Também elogiou iniciativas como os Convênios da USF com
UNEAFRO que dão oportunidade a muitos jovens negros e pobres.
O palestrante disse que “combater o racismo é importante,
pois com a crise, há um aumento da violência policial e o
alvo preferencial são os jovens e os negros. O Judiciário
também age com preconceito racial”.
No final de sua palestra, o advogado citou algumas propostas
populares para enfrentar a crise e os desafios que se colocam
principalmente aos estudantes da periferia e à população negra.
"Defendemos que o governo estabeleça metas para a
abertura de novos postos de empregos, a partir de um amplo
programa de incentivo à geração de empregos formais, em especial
entre os jovens e negros. Esperamos que o governo ajude a
desencadear um amplo processo de debate na sociedade, em todos
os segmentos sociais, para que o povo brasileiro perceba a
gravidade da crise, se mobilize e lute por mudanças".
concluiu.
Cleyton Wenceslau Borges, pós-graduado pela
USF em Gestão de Políticas Públicas, Diversidade e Inclusão
Social compôs a mesa como membro da Uneafro. Cleyton é advogado,
formado pela UEMG. Em seu comentário, citou que a intenção
de realizar este seminário no mês de maio, foi para aproximar
duas datas simbólicas de lutas do povo brasileiro: 1º. de
maio e 13 de maio. A Uneafro defende que as organizações classistas,
como sindicatos e movimentos de esquerda, assumam com mais
intensidade a questão do negro e das ações afirmativas.. Por
outro lado, Borges disse que "os movimentos negros
também têm compromisso com a questão dos trabalhadores, pois
é necessário combater o racismo juntamente a luta contra os
demais efeitos do capitalismo".
Pelo corpo discente da USF, integrou a mesa a Profª.
Dra. Maria Gabriela S. M. C. Marinho, docente nos
cursos de graduação e pós-graduação da USF, com mestrado em
Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual
de Campinas (UNICAMP) e doutorado em História Social pela
Universidade de São Paulo (USP). Gabriela destacou em sua
fala o papel social da universidade, pois acredita que este
deva ser um espaço que reproduza um retrato da sociedade brasileira,
com sua diversidade e riquezas. Citou que a USF, onde atua
por mais de 20 anos, e a Ordem Franciscana como um todo, felizmente
configuram-se em exceções à regra das universidades em nosso
país. "Saúdo a importância de projetos como a Educafro
e agora o surgimento e a inserção da UNEAFRO como um novo
ator e mais uma entidade convenidada, em sintonia com a missão
da Universidade São Francisco". A professora fez
referência aos universitários que, mesmo com adversidades,
"como enfrentar ônibus e trem lotados, pouco dinheiro
para lanche ou xérox, ainda assim têm ótimo desempenho em
sala de aula e eventos desta natureza."
A Profª. Dra. Wanderli da Costa Fonseca
representou o curso de Psicologia no debate. Fonseca possui
mestrado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano
pela USP e doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento
Humano pela USP. Em sua fala, ela relacionou os males causados
pela crise à saúde dos trabalhadores.
Em nome do Centro Acadêmico do curso de Direito, os acadêmicos
da USF Rafael Bertramello e Fábio Santos,
respectivamente diretor e presidente do C.A., também compuseram
a mesa. Rafael fez a leitura de um estudo relacionado ao tema,
no qual são apontadas opiniões de movimentos sociais para
superação da crise. Fábio falou a respeito da regularização
do Centro Acadêmico, que a atual diretoria buscou realizar
e que em breve terá uma sala no Campus disponível para os
estudantes.
O evento foi prestigiado pelo Pró-Reitor Comunitário da USF,
Profº. Dr. Evandro Luis Amaral Ribeiro. Em
sua saudação, Ribeiro reforçou a importância de eventos como
este organizado em conjunto com a UNEAFRO e colocou a PRC
a disposição para novas atividades comunitárias.
Seguiram-se comentários de professores e alunos presentes,
com diversas perguntas aos palestrantes e debate. Tiago Barison
acolheu protesto de universitários/as do curso de Serviço
Social, sobre a necessidade de que a categoria dos trabalhadores
da área da assistência social esteja envolvida na discussão
do assunto. Quem se interessar em aprofundar o estudo, pode
acessar a cartilha “Para Debater a Crise” no site http://www.consultapopular.org.br/
ou no link http://www.consultapopular.org.br/formacao/conjuntura/Cartilha%20para%20debater%20a%20crise%20-%20final.pdf.pdf.
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