| Em:
20/10/2009
No
último dia 12 de Janeiro um terremoto, o maior da história
do Haiti, causou uma das maiores tragédias humanitárias já
vista. O poder devastador dos tremores equivaleu ao impacto
de 30 bombas nucleares. O povo haitiano, mais uma vez, é atirado
a um sofrimento desumano, desta vez pelas forças da natureza.
Ao
longo de sua história o povo haitiano sempre demonstrou força
na luta pela vida. O país chegou a ser o mais rico da América
Latina colonial, graças ao trabalho escravo africano empregado
na produção do açúcar, artigo de luxo e de exportação no século
18. Mas a super exploração da mão de obra escrava provocou,
em 1792, um dos maiores levantes já visto. Os negros revolucionários
de 1792 constituíram sua república, a “República Negra”, e
em 1804 alcançaram sua independência.
Daí
em diante o Haiti passou a representar uma verdadeira ameaça
ao poder escravocrata, já em declínio, bem como às elites
liberais que se insurgiam. Golpes, intervenções militares
externas, ditaduras e ocupações militares – como a da atual
Minustah, aprofundaram o quadro de miséria e violência. Se
hoje o Haiti é o país mais pobre da América Latina, trata-se
do resultado de um processo histórico de expropriação de sua
riqueza e de super exploração de seu povo pelos interesses
das grandes nações capitalistas.
95%
dos nove milhões de habitantes do Haiti são negros. 47% da
população maior de 15 anos é analfabeta. O país tem o PIB
per capita mais baixo da América Latina. 10% mais pobres obtêm
0,7% da renda nacional, enquanto os 10% mais ricos obtém 47,7%
da renda; 80% da população sobrevivem abaixo da linha de pobreza;
75% das casas não têm saneamento básico e mais de 60% da população
não tem acesso à água potável e não há serviço de coleta de
lixo. O desemprego atinge 80% da população e o salário médio
não chega a 50 dólares mensais. A taxa de mortalidade infantil
é a mais alta da América Latina e somente 24% dos partos recebem
atendimento médico. Esse era o quadro até a tragédia do terremoto.
Hoje é muito pior.
Seduzido à política militar dos EUA, o Brasil, desde 2004,
lidera uma operação militar no Haiti. Nestes cinco anos as
tropas brasileiras reprimiram protestos populares e visaram
apenas a proteção da propriedade privada, em detrimento da
miséria da maioria do povo haitiano. As últimas informações
dando conta de que os EUA tomaram o comando do aeroporto,
o controle do espaço aéreo e das operações militares no pós-terremoto
são a prova da subserviência brasileira e francesa aos verdadeiros
“chefes”.
A
tragédia e o caos humanitário causado pelo terremoto devem
levar o mundo a uma nova postura em relação a esse país e
a esse povo já tão sofrido. Tanto os investimentos quanto
a presença militar estrangeira devem se transformar numa verdadeira
e efetiva ajuda humanitária onde a soberania dessa população
seja respeitada.
Todos
os povos do mundo, movimentos sociais, partidos e ong’s devem
promover uma gigantesca campanha de solidariedade internacional.
Mas, muito além disso, exige-se dos países ricos e das economias
em desenvolvimento uma postura de solidariedade real. Para
se ter idéia, nos últimos cinco anos a ONU gastou cerca de
3,5 bilhões de dólares para manter a ocupação militar no Haiti.
Durante a crise econômica mundial os cofres americanos despejaram
mais de 10 trilhões de dólares de suas reservas para salvar
Wall Street. O Mundo gastou ao todo algo em torno de 25 trilhões
para salvar bancos e empresas da crise econômica. Não é possível
admitir que, num caso de catástrofe humanitária sem precedentes,
essas nações não assumam responsabilidades.O mundo deve isso
ao Haiti. É o mínimo.
Entre
corpos ensangüentados, mutilados, e sem vida; entre os sons
de desespero, choros e gritos de dor dos que sobreviveram;
entre a descrença e a desesperança de quem perdeu famílias
inteiras, amigos e o pouco de material, mais uma vez a origem
é africana. Mais uma vez a pele é negra.
E
os abutres do capitalismo festejam as breves licitações para
a reconstrução do Haiti.
Que
o luto do povo negro haitiano comova e provoque uma solidariedade
verdadeira em todos nós.
Que
a luta do povo negro haitiano nos inspire.
Que
Oxalá guarde as almas de nossos irmãos e ilumine a vida no
Haiti.
Ouça
a leitura do texto na Radioagência Notícias do Planalto NP
Veja
repercussão da tragédia:
»
Declaração do PSTU
[www.pstu.org.br/]
» Matéria do Brasil de Fato
[www.brasildefato.com.br]
» Matéria da Via Campesina
[www.mst.org.br]
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