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Pesquisa
realizada em 501 escolas públicas de todo o país, baseada
em entrevistas com mais de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores,
professores e funcionários, revelou que 99,3% dessas pessoas
demonstram algum tipo de preconceito étnico-racial, socioeconômico,
com relação a portadores de necessidades especiais, gênero,
geração, orientação sexual ou territorial. O estudo, divulgado
em 17 de julho/09, em São Paulo, e pioneiro no Brasil, foi
realizado com o objetivo de dar subsídios para a criação de
ações que transformem a escola em um ambiente de promoção
da diversidade e do respeito às diferenças.
De
acordo com a pesquisa Preconceito e Discriminação no Ambiente
Escolar, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas
(Fipe) a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 96,5% dos entrevistados
têm preconceito com relação a portadores de necessidades especiais,
94,2% têm preconceito étnico-racial, 93,5% de gênero, 91%
de geração, 87,5% socioeconômico, 87,3% com relação à orientação
sexual e 75,95% têm preconceito territorial.
Segundo
o coordenador do trabalho, José Afonso Mazzon, professor da
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade
de São Paulo (FEA-USP), a pesquisa conclui que as escolas
são ambientes onde o preconceito é bastante disseminado entre
todos os atores. ?Não existe alguém que tenha preconceito
em relação a uma área e não tenha em relação a outra. A maior
parte das pessoas tem de três a cinco áreas de preconceito.
O fato de todo indivíduo ser preconceituoso é generalizada
e preocupante?, disse.
Com
relação à intensidade do preconceito, o estudo avaliou que
38,2% têm mais preconceito com relação ao gênero e que isso
parte do homem com relação à mulher. Com relação à geração
(idade), 37,9% têm preconceito principalmente com relação
aos idosos. A intensidade da atitude preconceituosa chega
a 32,4% quando se trata de portadores de necessidades especiais
e fica em 26,1% com relação à orientação sexual, 25,1% quando
se trata de diferença socioeconômica, 22,9% étnico-racial
e 20,65% territorial.
O
estudo indica ainda que 99,9% dos entrevistados desejam manter
distância de algum grupo social. Os deficientes mentais são
os que sofrem maior preconceito com 98,9% das pessoas com
algum nível de distância social, seguido pelos homossexuais
com 98,9%, ciganos (97,3%), deficientes físicos (96,2%), índios
(95,3%), pobres (94,9%), moradores da periferia ou de favelas
(94,6%), moradores da área rural (91,1%) e negros (90,9%).
De
acordo com o diretor de Estudos e Acompanhamentos da Secretaria
de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad)
do Ministério da Educação (MEC), Daniel Chimenez, o resultado
desse estudo será analisado detalhadamente uma vez que o MEC
já demonstrou preocupação com o tema e com a necessidade de
melhorar o ambiente escolar e de ampliar ações de respeito
à diversidade.
Fonte: Agência
Brasil |