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Em julho
de 1992, mulheres negras de 70 países participaram do 1º Encontro
de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, em Santo
Domingo, na República Dominicana. O último dia do evento,
25 de julho, foi instituído pela ONU, como o Dia Internacional
da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha. Estipulou-se
que este dia seria o marco internacional da luta e da resistência
da mulher negra, tendo em conta a condição de opressão de
gênero e racial/étnica em que vivem as mulheres negras, explícita
em muitas situações cotidianas.
A
luta organizada e articulada entre as mulheres negras na América
Latina e Caribe tem denunciado as condições desiguais que
enfrentam na saúde, educação, participação desigual no mercado
de trabalho em relação aos demais segmentos sociais, tendo
ainda no trabalho doméstico remunerado, uma participação majoritária.
Morando em bairros ou em comunidades rurais sob condições
inadequadas de moradia, sem acesso à infra-estrutura de qualidade,
e exposta a diversas formas e níveis de violência, são mulheres
afro-descendentes que buscam, sob a forma coletiva da luta
política, artística, religiosa e cultural exercer seu papel
de sujeito político pela igualdade racial.
Segundo
o último censo do IBGE, enquanto 45% das mulheres brasileiras
são negras pretas e pardas), em termos de renda elas ocupam
a base da pirâmide sócio-econômica. As mulheres negras correspondem
a 18% da População Economicamente Ativa (PEA), ou seja, 14
milhões de pessoas, de acordo com a OIT. Se comparado ao percentual
de mulheres brancas, há uma grande concentração de mulheres
negras nos serviços domésticos, destacando-se também o trabalho
sem remuneração. Isso evidencia que a mulher negra está mais
exposta a vínculos empregatícios de baixo status social, baixa
remuneração e acesso precarizado a direitos trabalhistas.
Outras
pesquisas são gravíssimas: o risco relativo de mortes maternas
de mulheres negras é 7,4 vezes maior do que as não-negras;
as taxas de alfabetização e escolaridade são de 90% e 83%
para as mulheres brancas, contra 78% e 76% para as negras,
respectivamente. Das famílias chefiadas por mulheres negras,
60% têm renda inferior a um salário mínimo. São as negras
as maiores vítimas da falta de atendimento do SUS em caso
de aborto legal.
As
estatísticas oficiais dão conta e os meios de comunicação
confirmam a freqüência de situações de violências a que são
submetidos grupos socialmente vulneráveis como as mulheres,
afrodescendentes, indígenas, homossexuais, entre outros. A
violência atinge a todas as mulheres, mas no caso das negras,
além da violência de gênero, elas sofrem violência racial,
piorando consideravelmente a situação. As estatísticas brasileiras
não abrangem a questão, mas pesquisas estadunidenses revelam
que a taxa de homicídios para mulheres negras é de 12,3 para
cada 100 mil assassinatos, enquanto que a taxa para mulheres
brancas é de 2,9 para 100 mil.
Esperamos
que o dia 25 de Julho seja uma dia de reflexão e mudança de
atitude em todos os setores da sociedade quanto à luta por
igualdade de gênero, respeito e justiça com a mulher negra,
caribenha e latino-americana, nos nossos movimentos sociais,
entidades, cursinhos comunitários, igrejas, partidos políticos,
sindicatos. Quando a voz feminina será ouvida?
Compareça
à I Assembléia Geral da UNEafro, neste sábado (dia 25/07),
que abordará este tema durante o evento e com um ato simbólico
pelas ruas do Centro de São Paulo.
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