| Em
07/09/09
Como
se fora combinado, após uma semana de chuva, o dia 7 de Setembro
amanheceu com céu completamente limpo e com o sol despontando
desde as primeiras horas da manhã. O sol e o calor queimaram,
mais uma vez, a pele de homens e mulheres, negros, pobres,
nordestinos, moradores de rua, pessoas com deficiência, jovens
e idosos, sindicalistas e operários durante a caminhada da
Praça da Sé, capital de SP, até o Monumento do Ipiranga.
O bloco da UNEafro se fez presente desde o primeiro momento
de concentração e chamou atenção com seu Bandeirão “nós por
nós mesmos”, que serviu como ponto de referência para o encontro
de nossos militantes.
O ambiente ficou ainda mais animado a partir da chegada da
comitiva de Poá, que trouxe a Bateria do grupo “Bate Tambor
– Vila Açoreana”, que fez tremer a Praça da Sé desde o primeiro
momento. Em seguida, a UNEafro passou a contribuir na organização
e na condução do ATO de cima do Trio Elétrico, quando Douglas
Belchior – membro do Conselho Geral, juntou-se às lideranças
dos demais movimentos, pastorais e sindicatos.
Durante toda a caminhada, da Sé ao Ipiranga, sob sol escaldante,
lideranças das diversas organizações deixaram suas mensagens
de organização e luta. Vale destaque o fato de o racismo e
o combate às opressões ter sido citado na grande maioria das
considerações, por todas as organizações presentes.
No ATO final, de frente ao monumento do Ipiranga, uma vez
mais a necessidade da luta contra o racismo, aliada ao luta
geral classista foi motivo de calorosos discursos. Douglas
Belchior, da UNEafro, explicitou a mensagem do movimento:
“...de Palmares à Canudos e em nossos dias a partir dos
massacres da Candelária, Carandiru, Corumbiara, Eldorado dos
Carajás e Diadema, das ações permanentes das polícias e das
milícias, do assassinato do dentista negro Flávio Ferreira
e do espancamento do trabalhador negro Januário Santana ou
ainda das incursões violentas da polícia no recém despejo
de mais de 400 famílias no Capão Redondo e da repressão dirigida
à comunidade de Heliópolis, o Estado e seu braço armado, a
partir da vontade dos governantes, mantém o tratamento especial
ao povo negro e pobre.”
Como resposta necessária à pobreza e a violência que tanta
presença tem na vida das populações empobrecidas e, especialmente,
da população afrodescendente, Douglas Belchior ressalta a
importância da distribuição das riquezas da nação: “Viveremos
um período de conquistas de riquezas com a exploração do Pré-Sal.
Essa riqueza deve ser efetivamente do povo brasileiro e deve
chegar, através de uma efetiva distribuição até as camadas
mais pobres, especialmente ao povo negro. Não podemos aceitar
que os governos respondam aos interesses dos empresários nacionais
e internacionais.”
Veja fotos:
Grito
dos Excluídos 2009
Veja
vídeos:
Grito
dos Excluídos 2009 (vídeo 1)
Grito
dos Excluídos 2009 (vídeo 2)
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