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Dia de consciência negra em Heliópolis

Em 18/11/09
Por Vanessa Ramos e Julio Caldeira

 

Novembro é o mês que muitos espaços trazem à tona a reflexão sobre a questão do povo negro no Brasil, o chamado mês da Consciência negra. O dia 20 que traz diversas atividades pelo país rememora o ano de 1695, em que um dos principais símbolos da resistência negra do Quilombo de Palmares-PE, Zumbi, foi brutalmente assassinado.

Neste sentido e com tal motivação, a Pastoral Afro de Heliópolis e a UNEafro-Brasil organizaram no último dia 17, na comunidade eclesial de base São José Operário, em Heliópolis, um grande bate-papo sobre A resistência do povo negro no Brasil, com o Douglas Belchior, professor de história, militante da causa negra e integrante do Conselho Geral da UNEafro.

Estiveram presentes cerca de cem pessoas, entre educandos e educadores do Movimento de Alfabetização (MOVA) da região, crianças, grupo de jovens e adultos da comunidade local e das comunidades eclesiais de base Santa Isabel, São Benedito e São José Operário, da Paróquia Santa Paulina e de padres e seminaristas do Instituto Missões Consolata (IMC). O encontro contou também com a presença do pároco Jaime Dias, do IMC que na região apóia o trabalho da Pastoral Afro que está em fase embrionária.

O Encontro refletiu, entre outros temas, sobre o papel dos meios de comunicação e seu poder ideológico causado em quem os assiste, como o canal de televisão que em plena semana da Consciência Negra coloca em sua novela de horário nobre a atriz que é a protagonista, negra, de joelhos para levar um tapa no rosto da atriz que é uma senhora branca. Assim, se observa muitos resquícios da escravidão e das formas de dominação que se apresentam muitas vezes de forma sutil.

Douglas Belchior enfatizou a importância do estudo, da leitura e da organização do povo, pois, uma vez o povo conhecendo as diversas realidades e os seus direitos, compreenderá a importância de estar unido para se defender-se diante das injustiças.

Por fim, a dança-afro de uma jovem negra da comunidade fez rememorar, sem dúvida, Dandara, companheira de Zumbi que lutou contra a escravidão de sua época e que ainda alimenta a mística da resistência na luta do dia-a-dia.

O quilombo como o de Palmares foi destruído e muitos foram mortos, contudo, o sangue dos que tombaram ainda inspira o sonho da luta do povo negro e pobre que resiste aos modelos de barbárie, hoje, neste modelo de sociedade capitalista.