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Jornada da UNEafro motiva estudante a denunciar racismo sofrido na USP

Caso tem provocado debate sobre o racismo e a responsabilidade da Universidade

Em 02/12/09

 

No mês da Consciência Negra, a UNEafro-Brasil deu início a uma Jornada Nacional de Combate ao Racismo e todas as Formas de Discriminação. A campanha se deu através da realização de debates e palestras em escolas públicas e universidades, além de aulas públicas promovidas em locais representativos para a história e cultura afro-brasileira. Paralelamente, foram realizados protestos contra a impunidade e pela mudança de postura do Judiciário e das forças policiais.

Alguns dos resultados da campanha foram denúncias, entre elas, uma recentemente feita pela estudante de História, Luanda Ferreira dos Santos, que é negra e originária do Estado do Amazonas, a qual afirma ter sido vítima de racismo dentro da Universidade de São Paulo. Luanda é integrante da Associação de Moradores do Conjunto Residencial da USP (CRUSP). Conforme relato, durante a discussão de suposto furto de uma caixa de valores, um rapaz que também reside no CRUSP discordou do seu ponto de vista e se dirigiu a ela com várias palavras de ofensa. Diante de testemunhas, o rapaz fez referências negativas à Luanda, chamando-a também de "sua Michael Jackson do c....Ao ser questionado sobre tal postura e que estaria sendo racista, o mesmo revelou: “Sou mesmo”.


Ao procurar a UNEafro, a estudante foi orientada a registrar boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais, localizada no bairro da Luz, na Capital. Um inquérito policial foi instaurado e investigará indícios de crimes e sua autoria. Na seqüência, o ocorrido ganhou destaque numa matéria do G1 (portal de notícias/Globo), no dia 24 de novembro. Uma outra reportagem do R7 (portal da TV Record) tratou do caso no dia seguinte.

 

Debate sobre racismo na televisão

A partir daí, surgiu um convite para o debate do assunto no Programa Manhã Maior, da Rede TV. A denúncia repercutiu no programa do dia 01 de dezembro e contou com a participação (nos estúdios da TV) de Luanda, Cleyton W. Borges, advogado membro da UNEafro que acompanha o caso, e do fundador do Núcleo de Consciência Negra da USP, professor Wilson Onório da Silva, que é negro e tem Mestrado pela USP. Wilson relatou várias questões importantes sobre o racismo no Brasil e a situação de negros e negras.

Além dos temas vinculados no programa, o representante da UNEafro explicou que “em casos de racismo e discriminação, a vítima pode requerer indenização por dano moral (ofensa à honra e dignidade), na área cível, independente da condenação na área criminal. Poucas pessoas sabem disso, mas uma situação humilhante ou ofensiva, quando relacionada à etnia, cor ou origem, configura para um processo dessa natureza, inclusive na justiça trabalhista”.

Foi uma importante oportunidade de se questionar a postura conservadora daqueles que se recusam a discutir o racismo e insistem em negar sua existência. “O Brasil não é uma democracia racial, como muitos acreditam. Casos como o da Luanda estão aí para provar que as relações raciais não são tão amistosas, sobretudo na USP, que é um ambiente onde os negros são vistos corpos estranhos”, disse o professor Wilson.

 

Denúncia e cotas

Luanda acredita que sua postura pode servir de exemplo para outros negros e negras, que são vítimas constantes de ações racistas. “Quando venho a público falar do constrangimento que sofri, minha intenção maior é, além de pedir justiça, sensibilizar as pessoas para que não se calem diante de situações de racismo. É preciso denunciar para evitarmos a repetição diária dessa violência”.

O integrante da UNEafro alertou para a necessidade de a USP abrir sindicância interna para apurar o caso e, definitivamente, reconhecer o fracasso do Inclusp e agilizar o processo de implantação de cotas na universidade.

Diante dos resultados alcançados, a UNEafro decidiu tornar permanente a Campanha de Denúncia e Combate ao Racismo. Aqueles que se sentirem motivados a procurar a justiça para fazer novas denúncias podem encaminhar e-mail para o endereço uneafrobrasil@gmail.com para receber as devidas orientações ou fazer contato pelo telelefone: (11) 3105-2516 -ramal 3.

É possível, também, buscar orientação no Núcleo Especializado de Combate a Discriminação, Racismo e Preconceito, da Defensoria Pública de São Paulo, na Avenida Liberdade, 32 – 7º andar.

 

Veja os vídeos da reportagem com Luanda e a luta da UNEafro contra o racismo

> Vídeo 1 - Entrevista gravada no Escritório da UNEafro

> Vídeo 2 - Discussão em programa da RedeTV

> Vídeo 3- Comentários e opiniões sobre racismo na USP

> Matéria do Portal R7

> Matéria do G1