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UNEafro debate racismo e violência na USP

Em 14/09/09

 

Estudantes e trabalhadores da USP organizaram, no último dia 10 de Setembro, no prédio da História o debate “Racismo. Violência e Globalização”. A atividade contou com a participação de mais de 100 pessoas. Na mesa debatedora, estudantes e professores com trajetória de militância anti-racista: Kabenguele Munanga e Dennis de Oliveira (professores da USP), Zezé Menezes (trabalhadora da USP), Mara Onijá (militante do Pão e Rosas) e Douglas Belchior (militante da Uneafro). O trabalho foi coordenado por Celso, trabalhador da USP.

O enunciado complementar ao tema do debate foi: “No ano da França do Brasil, supermercado francês agride negro brasileiro”. Pouco mais de um mês após o espancamento de Januário Alves de Santana, trabalhador da USP, o debate denunciou: “O caso de espancamento e tortura do funcionário da USP pelo Carrefour e pela Polícia Militar”.

Januário, presente com sua família, fez seu relato de tortura que mais lembrava as descrições de Frei Tito em sofrimento de ditadura. Demonstrou, com suas palavras, a brutalidade de que foi vítima quando foi acusado de tentar roubar o próprio carro no estacionamento do Carrefour em Osasco.

O depoimento foi emocionante, fortalecendo um sentimento bastante presente no debate de que não podemos nos calar frente a violência racista que permanece até os dias de hoje, mais de 120 anos após a abolição da escravidão.

Todas as falas enfatizaram que o caso não é isolado, mas expressa sim como o racismo é uma marca profunda da sociedade em que vivemos.

Nós da UNEafro, homens e mulheres negras/os, Januárias e Januários, nos solidarizamos com a dor do companheiro e sua família, tomado hoje por todo movimento negro brasileiro, como símbolo de resistência e luta.

E mais que solidariedade, nos colocamos em luta permanente contra o racismo institucional e cultural brasileiro, eixo maior de sustentação da classe dominante brasileira.

 

Veja fotos da atividade

Veja cartaz de divulgação