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No
dia 07 de agosto de 2009 Januário Alves de Santana, funcionário
da Universidade de São Paulo – USP foi com sua esposa, dois
filhos, irmã e cunhado fazer compras no Hipermercado Carrefour,
na loja da Avenida dos Autonomistas, em Osasco. Na dependência
do estabelecimento foi vítima de tortura por motivação racial,
dois crimes hediondos enquadrados, na constituição e nas leis
9.455/1997 e 7.716/1989 (Lei Caó).
Sob
suspeição de um crime inusitado – roubar seu próprio carro
- Januário Santana foi espancado com socos, cabeçadas, chutes
e coronhadas, numa salinha da loja por cerca de cinco seguranças.
Ao mesmo tempo ouvia impropérios relacionado a sua raça. A
vítima e sua esposa, Maria dos Remédios do Nascimento Santana,
pagaram o preço de serem negros e comprarem um carro EcoSport,
que está sendo pago em 72 parcelas de R$ 789,00.
No
local do evento, depois de acionada a Polícia Militar tornou-se
cúmplice do crime praticado pelo Carrefour, pois reforçou
a suspeição e o racismo no atendimento da ocorrência quando
disse: “Você tem cara de que tem pelo menos três passagens.
Pode falar. Não nega. Confessa, que não tem problema”. Negligenciaram
sua função de apurar o fato ocorrido, constatar a verdade
e deter os responsáveis.
O
erro da polícia foi grave na ação e na omissão, porque além
de discriminar um cidadão e não cumprir sua função, negou
socorro a um homem ferido pela tortura que fora submetido.
Ainda impera nas estruturas oficiais de Segurança Pública
o principio da criminologia lombrosiana, onde o negro ocupa
o lugar de suspeito padrão. A cena completa do crime desvenda
o vigor do racismo institucional nos principais órgãos do
Estado Brasileiro.
O
Hipermercado é responsável pela contratação da empresa de
segurança; por permitir que seguranças trabalhem sem farda;
pela versão fantasiosa na nota que afirma que houve apenas
uma briga entre cliente, explicitando a intenção de omitir
a ocorrência do crime, apenas recuou em razão da grande repercussão;
pela não prestação de socorro à vítima; e pela gerência da
loja se manter omissa durante todo processo.
O fato ocorrido é de inteira responsabilidade do Carrefour.
A observação de seu comportamento nos demonstrou um profundo
desrespeito com seus clientes, com a opinião pública e total
sintonia com o método utilizado pelos torturadores. Há outras
denuncias que enquadram o Carrefour como uma empresa que viola
os Direitos Humanos de seus clientes e não raro de seus funcionários.
Outro
fato grave que merece o mais veemente repúdio de toda sociedade
é a existência da “salinha de castigo”, disponibilizada na
loja para reprimir casos de indisposição, insurgência ou rebeldia
de clientes. As ações que envolvam segurança interna desses
estabelecimentos devem estar sob a mais rígida observância
da Lei. Essas “salinhas” afrontam o estado de direito e a
consciência democrática, remontam as práticas dos anos de
chumbos, repudiados por toda sociedade brasileira.
Diante
do exposto exigimos:
Do
Estado
Apuração dos fatos e punição dos responsáveis.
Reparação
aos danos físicos, morais e psicológicos impostos a Januário
Santana.
Apuração
e punição aos policiais que assumiram a cumplicidade do crime.
Combate
ao Racismo Institucional que vigora na Polícia Militar.
Responsabilização
das empresas de segurança privada que não capacita adequadamente
seus funcionários.
Do
Carrefour
Retratação a Januário Santana pelo fato ocorrido
e pela tentativa de mitigar a repercussão e a correta apuração
do crime.
Total
colaboração para apuração dos fatos.
Demissão
de todos envolvidos (inclusive os que formularam a versão
fantasiosa para imprensa complicou mais a situação).
Rescisão
de contrato com a empresa de segurança responsável pelos funcionários
envolvidos no crime. Exigência de qualificação continuada
aos seguranças que prestam serviço ao Carrefour.
Ações
afirmativas que permita acesso e mobilidade profissional ascendente
de funcionários negros.
Entidades que assinam este documento:
1.
APN´S
2. Ceabra
3. Centro Cultural Sitio dos Palmares
4. CGTB
5. Circulo Palmarino
6. Conegro
7. CONEN
8. Conlutas
9. CPD Negro Sim
10. CTB
11. CUT
12. Frente 3 de Fevereiro
13. Frente Estadual Parlamentar de Promoção da Igualdade Racial
– SP
14. INSPIR
15. Instituto do Negro Padre Batista
16. Instituto Dom Isidoro de Souza
17. MTST
18. Negra Sim
19. Sindicato dos Comerciários
20. Uneafro-Brasil (União de Núcleos de Educação Popular para
Negras/os e Classe Trabalhadora)
21. União de Negros pela Igualdade – Unegro
22 . Memória Lélia Gonzalez
23. Quilombo Brasil/ Rádio Mamterra de Hamburgo
24. Conselho dos Cidadaos Brasileiros de Hamburgo
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