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Em:
19/11/2009
Na
véspera do Dia da Consciência Negra, 19 de novembro, organizações
do movimento social e negro protestaram contra a violência
policial que tem vitimado a juventude empobrecida, sobretudo
negras e negros. Entre as organizações estão UNEafro-Brasil
(União de Núcleos de Educação Popular para Negras(os) e Classe
Trabalhadora), Círculo Palmarino, JOC, Brasil Afirmativo,
Coletivo de Teatro Dolores Boca Aberta, MTST (Movimento dos
Trabalhadores Sem Teto), MST (Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra) e SAJU-USP.
O ato foi uma ação de denúncia contra as arbitrariedades da
política oficial de repressão no estado. Cumprimos nosso papel,
enquanto cidadãos e enquanto movimentos da sociedade civil
organizada, ao ocupar os espaços de diálogo e cobrança existentes
neste estado democrático de direito.
Exigimos a responsabilização do Estado e a execução de um
conjunto de ações urgentes, sob pena – pela omissão dos que
receberam a Representação dos movimentos – de continuarmos
assistindo à matança de nossos jovens.
Cotas, Audiência e Diversidade
Entre as reivindicações, destacamos a revisão imediata dos
programas de ação afirmativa e/ou programas de inclusão social
dirigidos a população pobre, negra e indígena, vigentes nas
universidades públicas estaduais (USP, UNESP e UNICAMP), como
uma alternativa de combate às desigualdades raciais e sociais.
Outra exigência é a realização de Audiência Pública, em Plenário
da ALESP, sobre o Genocídio da Juventude Negra e a Violência
do Estado, com a presença do Governador, do Secretário de
Segurança Pública, do Comandante-Geral da PM, da Delegada
de Crimes Raciais e representantes de organizações sociais.
Pedimos ainda, entre outras ações, a revisão – com a participação
efetiva dos movimentos populares – dos conteúdos dos cursos
de formação para todos os quadros e patentes da PM e critérios
de promoção e implantação do Programa Permanente de Treinamento
para a Diversidade e Enfrentamento do Racismo.
Lembramos que, desde Palmares, a luta do povo organizado trouxe
significativas contribuições para o combate ao racismo e o
fim da opressão. A Semana da Consciência Negra é o momento
de ocupar as ruas e pressionar os governantes, cobrando maior
vontade política no trato dos problemas que afetam a população
negra, sobretudo jovens e mulheres.
Resultados da mobilização
Com a ocupação do prédio da Secretaria de Justiça, por parte
de 160 militantes dos movimentos e entidades e, com a ausência
do secretário Antonio Marrey, uma comissão representativa
das organizações foi recebida pela Coordenadora Estadual de
Políticas para a População Negra e Indígena, Roseli de Oliveira,
e por assessores do Gabinete do Secretário.
Mesmo diante da tentativa de desmobilização e repressão por
parte da Polícia Militar, que pretendia desocupar a área,
os manifestantes permaneceram dentro do prédio por mais duas
horas, em atividades de protesto, enquanto acontecia a reunião
com a comissão.
A representante do Governo do Estado protocolou a Representação
e assumiu compromisso de participação do Governo na Audiência
Pública sobre Genocídio da Juventude Negra e Ações Afirmativas,
juntamente com a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia
Legislativa (ALESP), Defensoria Pública e Ministério Público.
Ficou agendada uma reunião de preparação para esta Audiência
para o dia 15 de dezembro, às 18 horas. O Comandante Geral
da Polícia Militar também será convocado.
Defensoria e Ministério Público
Após a ocupação, os manifestantes se dirigiram ao Ministério
Público Estadual e realizaram o protocolo com o Promotor Alexandre
Rocha, assessor do Procurador Geral Fernando Grella Vieira.
Em reunião com os manifestantes, o Promotor Rocha garantiu
que o MP participará das articulações propostas, em combate
ao racismo e ao genocídio da juventude negra.
Na mesma tarde, os grupos sociais levaram a pauta para Defensora
Pública-Geral, Cristina Guelfi. Os parlamentares membros da
Comissão de Direitos Humanos da ALESP também foram acionados.
Para os movimentos, a ação foi vitoriosa e poderá gerar resultados
satisfatórios, se houver vontade política do Governo Serra.
Que o sangue de todos e todas que entregaram suas vidas por
Justiça continue nos dando guarda e proteção! Axé!
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Confira a íntegra da Representação e multiplique
essa luta em seu Estado!
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Veja as fotos da Ocupação
Veja repercussão da Aula Pública da UNEafro:
» Protesto no centro de SP pede adoção de
cotas raciais nas universidades públicas
[Portal
G1]
» Manifestantes fazem
aula pública no saguão de secretaria de SP
[Portal
do Estadão]
» Manifestantes realizam
aula pública em secretaria de SP
[Portal
Limão]
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