Em
16/12/09
Nesta
terça-feira, 15 de Dezembro, a coordenadora de assuntos para
a população negra e indígena da Secretaria de Justiça, Roseli
de Oliveira, assumiu o compromisso de articular a participação
do Governo do Estado na audiência pública sobre a violência
policial que vitima a população negra e a busca de reparações.
O anúncio foi feito durante reunião com membros de diversas
organizações do movimento negro e movimento social.
De
acordo com a representante do governo, ainda é preciso muito
trabalho para conscientizar os demais setores do poder público
sobre a importância da pauta dos movimentos e sociedade civil.
“A ação do dia 19 foi fundamental para se dar visibilidade
aos anseios da população negra e a luta pelo fim do racismo
e das desigualdades. Reconhecemos a existência de racismo
institucional e consideramos legítimas as reivindicações.
Por isso, estaremos presentes na audiência”, afirma.
Antecedentes
A
referida ação ocorreu no último dia 19 de novembro, quando
militantes da UNEafro e demais organizações – Círculo Palmarino,
MTST, Assembléia Popular, MST , JOC e Coletivo Dolores Boca
Aberta – ocuparam as dependências do prédio da Secretaria
de Justiça, no Pátio do Colégio, no centro de São Paulo. Na
ocasião, foi realizada uma aula pública e, em seguida, uma
comissão foi recebida por assessores do secretário Luiz Antonio
Guimarães Marrey.
Ainda
no dia 19, os representantes das entidades protocolaram uma
representação na qual pediam, entre outras ações do governo,
a realização de uma audiência pública. O mesmo documento foi
recebido pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público.
Ambos se comprometeram a acompanhar as próximas etapas da
mobilização.
Racismo
e opressão
A
Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de
São Paulo, através de seu presidente, deputado José Cândido
(PT), já manifestou a intenção de realizar a atividade. Representantes
do mandato do deputado Raul Marcelo (Psol) – membro da comissão
– confirmaram a previsão de que a audiência ocorra entre a
última semana de fevereiro e a primeira de março.
Antes
de encaminhar as pautas propostas, a equipe técnica da Secretaria
fez uma prestação de contas das ações adotadas desde a criação
da Coordenadoria. No entanto, diversos participantes classificaram
como “tímidas” tais ações. “Esta coordenadoria, ainda que
limitada, é um canal de diálogo. Vamos explorar todas as possibilidades,
sem deixar de exercer a pressão necessária para que tenhamos
o fim desta estrutura racista e de dominação de classe”, avisa
Douglas Belchior, da Uneafro.
Além
da Uneafro, participaram da reunião representantes da Unegro,
Conen, Tribunal Popular, Negro Sim, Sindicato dos Advogados
de São Paulo, UNESCO, Conselho da Comunidade Negra de SP,
entre outros.
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