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Cinco de março de 2009. Uma quinta-feira ensolarada. Precisamente,quatro
e meia da tarde.Cerca de 150 pessoas emergemdo subterrâneo
da Estação Clínicas do metrô e declaram ocupadas as dependências
da Faculdade de Medicina da USP. Empunhando faixas de protesto
e entoando cânticose palavras de ordem, manifestam-se pela
construção da UNEAFRO – União de Núcleos de Educação Popular
para Negras/os e Classe Trabalhadora.Nascia ali, um movimento
negro com consciência de classe.
O protesto foi organizado e planejado em
sigilo durante seis encontros de formação. Chamou a atenção
das pessoas que transitavam próximo à FMUSP, da imprensa e
dos dirigentes e alunos da USP. Para preparar o ato, foram
designadas várias brigadas (equipes), que mobilizaram integrantes
de 42 núcleos de base, de pré-vestibular comunitário, esportes,
atividades culturais, hip-hop, formação política, capoeira,
universitários e estudos africanos, durante as cinco semanas
que o antecederam. Durante o ato, foi apresentado o Manifesto
de fundação da UNEafro, no qual dizem os cerca de 500 signatários:
“propomos a retomada do caminho de luta, calcada nas bases
da organização comunitária; da provocação à autonomia dos
núcleos; da formação crítica de atores sociais que buscam
o rompimento com o sistema político econômico que só privilegia
o mercado e com todos os tipos de preconceito, em especial
com o racismo; da busca de uma educação popular e libertadora
e da prática da democracia na construção
das ações.”
Nas palavras de seus fundadores, expressas
no Manifesto, a UNEafro assume a missão de aliar a luta contra
o racismo e por ações afirmativas com as lutas contra a exploração
capitalista, respeitando a horizontalidade nas relações núcleos/movimento,
uma vez que esta organização se configura como uma união dos
núcleos de base. Os militantes do movimento reivindicam a
vocação para o trabalho educacional de base e de formação
política direcionado às comunidades periféricas urbanas, a
atuação política no interior das faculdades e universidades
e ações de mobilização estudantil.
Pauta política e parada da Avenida
Dr. Arnaldo
“Vou ocupar, vou resistir. A Casagrande da USP vai cair.”
O
ato político pelo início da construção da Uneafro foi dividido
em três partes. Ocupação da Faculdade de Medicina da USP,
parada da avenida Dr. Arnaldo e caminhada na avenida Paulista,
rumo ao MASP.
Houve algumas agressões verbais por parte
de estudantes da USP e por parte da Polícia Militar, acionada
pela segurança do campus. Mais de 20 viaturas e um efetivo
da Tropa de Choque acompanharam os desdobramentos do ato.
Em diálogo com a PM, os manifestantes demonstraram tratar-se
de ato pacífico, com pauta política protocolada junto à Reitoria
da universidade.
No oficio dirigido à professora Dra. Suely
Vilela, a Uneafro propôs a promoção de um encontro entre representantes
do movimento negro e os membros do Conselho Universitário
da USP, para discutir o novo modelo de vestibular, ampliação
dos programas de permanência (assistência estudantil), promoção
de uma Audiência Pública sobre o Inclusp e seus resultados
e desburocratização no processo de validação de diplomas estrangeiros,
sobretudo os cubanos.
A forma deliberada pelos participantes do
ato para chamar a atenção da população foi a parada do trânsito
da avenida Dr. Arnaldo, uma das mais movimentadas da cidade.
Por cerca de 15 minutos, a circulação de carros, motos e ônibus
foi interrompida para distribuição de material informativo.
Um dos temas escolhidos foi o aniversário de 75 anos da USP.
A Uneafro apontou a existência de racismo institucional na
USP e os efeitos do preconceito e da discriminação no seio
da maior universidade brasileira. Várias pessoas que passavam
pelo local, de dentro dos ônibus ou nas calçadas, apoiaram
a manifestação unindo suas vozes aos gritos de ordem. Mais
informações e fotos em www.uneafrobrasil.org.
Veja fotos do ato.
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