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No Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação
Racial, a Uneafro manifestou seu repúdio a todas as formas
de discriminação e denunciou o conservadorismo de grupos que
teimam em manter as portas as universidades públicas fechadas
para negros e classe trabalhadora. Em 21 de março de 2009,
centenas de lutadores vindos da Capital, Grande São Paulo
e Interior participaram de uma aula pública, realizada ao
pé da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no
Largo do Paysandu, no centro de São Paulo.
Os desvalidos que habitam os logradouros do /entorno manifestaram
apoio e simpatia ao ato. Debaixo da garoa, cantada em prosa
e verso pelos poetas de agora e de outrora, todos acompanharam
atentos aos ensinamentos do professor universitário, advogado
e membro da Comissão de Ensino Jurídico da OAB Dr. Silvio
Luiz de Almeida. “O Massacre de Shaperville se repete diariamente
nas periferias do Brasil. A mobilização popular em defesa
da educação é urgente para evitarmos os perigos que rondam
a juventude negra”, aclamou ele. “A mudança de consciência
para a eliminação do racismo deve ser feita por meio de debates
abertos em espaços alternativos, já que isso não ocorre nas
escolas, avalia Helena Saraiva dos Santos, coordenadora de
núcleos de base na região do ABCD paulista. Para a universitária
Jarlene Marçal, “as crianças negras crescem e são educadas
sem identidade, condenadas à influência do modelo de vida
imposto pela classe dominante”. Após a aula, apresentaram-se
grupos de dança de rua e os representantes de movimentos sociais
e sindicatos expressaram opiniões sobre a questão do racismo
e das ações afirmativas.
1º Encontro de militantes da UNEafro
Na manhã do dia 21 de março, lideranças de movimentos, organizações
sociais e sindicais, instituições de defesa de direitos e
núcleos de base se reuniram para manifestar apoio e sugerir
propostas para as linhas de atuação da UNEafro. Na ocasião,
os militantes que participaram das primeiras reuniões pela
criação do novo movimento – após o rompimento com a Educafro
– apresentaram as diretrizes polítco-ideológicas, presentes
no Manifesto, e a estrutura organizacional, pautada no protagonismo
comunitário. “Estendemos nosso convite a todos os lutadores
que queiram somar na construção de um Movimento Negro popular,
democrático e de luta”, disse Douglas Belchior.
Massacre de Shaperville
A Organização das Nações Unidas instituiu o dia 21 de março
como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação
Racial em memória ao Massacre de Shaperville. Em 21 de março
de 1960, na cidade de oanesburgo, na África do Sul, 20 mil
negros protestavam contra as arbitrariedades do apartheid.
Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre
a multidão e o saldo da violência foi 69 mortos e 186 feridos. O apartheid, política de segregação racial, foi oficializado
em 1948, quando o Partido Nacional – dos descendentes de europeus
– assumiu o poder. Foi abolido somente em 1990.
Veja fotos do ato.
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