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Uneafro marca forte presença na Audiência da ALESP

Em 13/08/09

Cerca de 70 participantes de Núcleos da Uneafro estiveram presentes na audiência pública realizada no Plenário da Assembléia Legislativa, que reuniu nesta segunda-feira (10/08), cerca de 500 pessoas em mobilização inédita, em defesa das ações afirmativas, das cotas e da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, tanto em São Paulo, quanto o que tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília.

A audiência, que se transformou num ato político, reuniu sindicalistas, estudantes, ativistas e lideranças de entidades do Movimento Negro de S. Paulo, convocados pela Frente Parlamentar pela Igualdade Racial, criada na Assembléia e Legislativa e coordenada pelos deputados Vicente Cândido e José Cândido.

No início da Audiência, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ocupou a tribuna para dizer ser favorável as ações afirmativas e ao Estatuto. Entre os deputados, Celso Giglio, do PSDB, defendeu as cotas sociais, e não escapou de críticas dos oradores que falaram depois, entre os quais, Edson França, o coordenador geral da UNEGRO - articulação de ativistas ligados ou próximos ao PC do B – que acusou deputados do DEM e do PSDB de serem contra o Estatuto.

 

Ato público

A intervenção mais aplaudida durante a manifestação foi a da estudante Ana Letícia Oliveira, 19 anos, presidente da União Municipal de Secundaristas. Ela disse que a entidade está levando a discussão sobre cotas para dentro das escolas. “É preciso entender que a defesa das cotas e do Estatuto é condição para um Brasil livre e democrático”, afirmou.

 

UNEAFRO cita Marighella em defesa das cotas

Douglas Belchior, membro do Conselho Geral falou entusiasmado em nome da UNEAFRO:
"Para defender a luta de Negras e Negros, escolhemos citar o líder negro comunista Carlos Marighella, assassinado em 4 de novembro de 1969 pelo Governo Militar. Poucas pessoas sabem que este filho de um operário imigrante italiano e de uma mulher negra e filha de escravos africanos trazidos do Sudão (Haussás), defendeu veementemente a reserva de vagas para negros nas faculdades da Bahia. Quem nos conta é a sua esposa CLARA CHARF, no livro “Marighella Vive”, lançado pela Editora do MST em 1999" .

O ofício protocolado diante das autoridades, senadores e deputados diz "O Governo LULA precisa ter agilidade e ter coragem para colocar sua força máxima, das suas principais instancias (Casa Civil, Área Econômica, Articulação Política) em defesa das Cotas, por reparações, em defesa da nossa juventude (em geral), mas principalmente a juventude negra. Aprovar o PL de Cotas nas Federais deve ser responsabilidade do ESTADO BRASILEIRO, EM TODA SUA DIMENSÃO INSTITUCIONAL. Não é tarefa de um partido ou governo, mas de toda Nação" Douglas alertou que "a violência contra a população negra está se tornando insuportável" e chamou atenção dos deputados para o genocídio da juventude negra, confirmado recentemente por várias pesquisas.


No final, a deputada Janete Pietá, da Comissão Parlamentar da Igualdade Racial, no Congresso, alertou para a necessidade de mobilização. “Se não houver mobilização da população negra, os setores conservadores e ruralistas vão prevalecer e derrotar o Estatuto”, afirmou.

Parabéns aos guerreiros e guerreiras presentes, mesmo num dia de semana à tarde, representando núcleos da UNEAFRO de Atibaia, Itaquaquecetuba, Itatiba, Mauá, Mogi das Cruzes, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Paulo!

 

Leia na íntegra o ofício protocolado na Audiência PDF