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Em 04/02/10
Por
Flávio de Paula
Temos
acompanhado desde o ano passado e com maior intensidade no
início de 2010, “os estragos”, como bem define a mídia burguesa,
causados pelas chuvas de verão em algumas partes do território
nacional.
De Angra do Reis (Rio de Janeiro ), ao Jardim Pantanal (São
Paulo), o que se vê é o descaso de governantes comprometidos
com o clientelismo político. O absurdo chega a tanto, que
para tais inescrupulosos, a imagem de destruição é mais sugestiva
às suas políticas assistencialistas do que à prevenção desses
acontecimentos.
O
que causa revolta a qualquer senso crítico é saber que essas
tragédias, que não foram provocadas pela chuva, mas pelas
tiranias de um sistema excludente e impiedoso, cuja missão
é jogar as margens dos grandes centros, os explorados (que
em sua maioria, cabe lembrar é de negros), que os mantém.
A
natureza sempre esteve em seu devido lugar e presencia seus
processos dinâmicos próprios serem ameaçados com altas construções
da classe média e rica, Mas, esmagadoramente pela classe pobre
que, sem alternativa e ausência de programas habitacionais
resolutivos capazes de concender-lhes moradias dignas, tem
que estabelecer-se ali, convivendo com as chamadas "áreas
de risco" Diferente da primeira classe, que constrói
mansões, casas de veraneios sem o mínimo de respeito ao solo
e no que nele há. O resultado é o que vemos.
Como bem disse o geólogo Álvares Rodrigues ao jornal Brasil
de Fato, “os escorregamentos representam exatamente a natureza
geológica procurando novas posições de equilíbrio”.
O que se pode dizer de um bairro populoso da maior cidade
da América Latina, que tem seus moradores lesados no direito
de ir e vir garantidos na carta magna? Assim, estiveram por
vários dias os moradores do jardim Pantanal, na Zona Leste
de São Paulo, onde a água da chuva simplesmente não escoava
e deixava as ruas do bairro como uma Veneza contaminada. É
inadmissível que cidadãos que pagam seus altos impostos tenham
que se arriscar na água misturada com esgoto, expondo-se à
diversas doenças contagiosas, para poderem sair ou voltar
às suas casas.
Qual
é a explicação para se ter um rio artificial na porta de casa?
Um erro de engenharia ao construir uma escola? Sabemos que
o problema vai muito além disso As enchentes são a perpetuação
de uma ideologia dominante que não se preocupa em atender
as demandas sociais, pois se essas questões forem assistidas,
prejudicariam o funcionamento da grande engrenagem do capital.
É mais fácil jogar a culpa no aquecimento global, no efeito
estufa e em outros “desastres naturais". Não nos esqueçamos,
tudo isso é praxe do modelo do neoliberalismo.
A chuva não castiga, ela vem como sempre veio, vem pra regar
a terra e matar a cede dos seres vivos. As montanhas, morros
e encostas não se deslocaram, estão onde sempre estiveram,
a ganância e o desespero do homem se chegaram a eles.
Hoje, vemos nossas paisagens, o cair dos pingos da chuva,
vemos esses fenômenos sendo satanizados por quem os provocou.
Sentimos muito pelos que se foram nesses trágicos incidentes,
nos solidarizamos com as famílias pelas percas irreparáveis,
lamentamos que o aviso da natureza tem sido tão cruel, pois
esse, mostra como o homem despreza o sentimento humano e a
destrói.
Vale à pena relembrar de um trecho da carta escrita e enviada
pelo Cacique Seattle ao presidente norte americano em 1855.
“O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra.
Há uma ligação em tudo”
O
desastre não é natural, pois o homem já o moldou, o desastre
é a administração de quem teria o dever de cuidar do que é
publico, e deveria atentar para o bem mais precioso desse
sistema, o ser vivo!
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