O encontro temático sobre raça e gênero aconteceu na cidade de Mogi das Cruzes, localizada na Grande São Paulo, e reuniu em torno de 50 participantes.



No último fim de semana, dias 12 e 13 de outubro, o projeto Circuladô de Oyá encerrou as atividades do ano com a formação "Encontro das Pretas", voltado para mulheres negras, entre elas estudantes, professoras e coordenadoras dos núcleos da Uneafro de São Paulo e Rio de Janeiro.


A atividade reuniu em torno de 50 mulheres negras e contou com uma programação extensa e variada, com foco em questões de raça e gênero, a partir dos olhares diversos do público e das palestrantes reconhecidas por sua atuação e militância.

Identidade e autocuidado foi tema da oficina ministrada por Joice Aziza. Mayra Ribeiro, coordenadora do Núcleo Luz, organizou a oficina "Politizando Beyonce" e pautou em sua oficina o discurso e a representatividade da mulher negra com a exibição de vídeo-clipes da cantora norte-americana. A jornalista e escritora Bianca Santana compartilhou processos criativos e literários durante a oficina de escrita. Para encerrar e encantar a noite de sábado, o grupo Feitiço de Mulher trouxe em seu repertório o samba de mulheres negras. 


Das pretas para as pretas


Protagonizado por mulheres negras da Uneafro, o Circuladô de Oyá realizou formações em núcleos de São Paulo e Rio de Janeiro para as estudantes dos núcleos desde o início do ano. A demanda por um encontro mais profundo foi trazida pelas próprias coordenadoras dos núcleos, como conta Vanessa Nascimento, integrante do Conselho Geral da Uneafro e do Circuladô de Oyá: "Ao final de cada oficina nos núcleos, sempre nos procuravam querendo que o Circuladô realizasse mais atividades. O estímulo ao reconhecimento da própria identidade negra não é feito pelas escolas públicas e outros espaços que as estudantes frequentam e, por isso, as coordenadoras do núcleos estão em constante busca de formações que contribuam para o seu repertório e que forneçam ferramentas que incentivem isso". 


"Uma conexão com nossa história de resistência, fortalecimento e amor”, define Luana Vieira, coordenadora do Núcleo Disciplina, localizado no Jardim Miriam, zona sul de SP, sobre a potência do encontro das pretas Uneafro. Ela ressalta que a descoberta de cada história só fortelece o vinculo e o propósitos de existência do projeto. “Esse encontro foi marcado por histórias de vida que se encontram na margem de sobrevivência do sistema racista e machista, contribuindo para formação de meninas que se espelham e se fortalecem na luta. Falar do Circuladô de Oyá é falar de uma memória africana viva.”


Vieira acredita que essa iniciativa irá reverberar politicamente nas próximas gerações. “Podemos dizer que há uma geração de mulheres negras trabalhando, escrevendo e que carrega quem antes veio e erradia forças vislumbrando uma continuidade sem fim", enfatiza.

A conexão ancestral presente no encontro de mulher nega para mulher negra indica as caracterísiticas marcantes que revelam a representatividade e a resistência do Circuladô de Oyá. "Nós, mulheres pretas da UNEAFRO-RJ consideramos o Encontro do Circuladô de Oyá muito potente e transformador. O fato de estarmos com outras mulheres negras e poder ouvir, ler e trocar experiências nos deixa muito mais forte. Além de ver como o movimento contribui efetivamente para o pertencimento racial e de classe, percebido através da fala das alunas. Saber que não estamos sozinhas e que caminhamos juntas nos fortalece”, argumentam Vanessa Vicente,Giseli de Matos, Carol Lopes e Mayah Prado, integrantes dos núcleos do Estado do Rio de Janeiro.


Para o encontro acontecer, a UNEAFRO prepara um processo político pedagógico para fazer com que a essa experiência impacte a mulher negra em todos os sentidos, afinal ainda é comum ouvir relatos de mulheres que não conseguem se dedicar aos estudos e atividades imersivas por não conseguirem auxílio no cuidado com suas crianças, o que as isola da participação social mais efetiva. Pensando nisso, o Circuladô de Oyá disponibilizou durante todo o encontro as cuidadoras Mariana Torres e Juliana Lima que ofertaram às crianças atividades lúdicas, além disso, a alimentação do encontro foi preparada pela Cozinha da Dona Jô (D. Josilma Rodrigues e equipe) e o registro foi realizado pela Talita Andrade (Lentes Rosa), fortalecendo o processo de economia compartilhada entre as mulheres.

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